Esta é a Torah que Moshe propôs
aos filhos de Israel
(Dt 4.44)
A Torah
é composta dos cinco livros de Moshe -
BERESHIT ou Gênesis (Gn), SHEMOT
ou Êxodo (Ex), VAYIKRA ou
Levítico (Lv), BAMIDBAR ou
Números (Nm) e DVARIM ou
Deuteronômio (Dt), e está dividida em 54 parashiot (porções) lidas
semanalmente durante cada ciclo anual de leitura.
Na
tabela abaixo você encontra o número da parasha dentro da Torah, o
número da parasha dentro de cada livro, a transliteração e a
tradução (exceto dos nomes), e as referências, tanto do próprio
texto da parasha como das leituras complementares de haftara
(profetas), brit
chadasha (Novo Testamento) e tehilim (Salmos)
correspondentes.
Por
exemplo, a 32ª parasha da Torah é a 9ª de VAYIKRA (Levítico) e é BEHAR,
que significa “no monte”. Sua referência é Lv 25.1 a 26.2 e suas
leituras complementares são. haftara Jr 32.6-27, brit chadasha Lc
4.16-21 e tehilim Sl 112.
Você as
estuda durante a semana e no Sábado, em grupo (na família ou na
congregação), elabora um pequeno comentário para a edificação da
Kehilat...
MISHPATIM
– Dois pontos básicos definem a presente parashah: Leis
civis e cerimoniais e a Ratificação do pacto. Leis civis e cerimoniais: Depois de dar os Dez
Mandamentos, YAOHU UL entregou as leis pelas quais a nação devia
governar-se. Essas leis desenvolvem pontos do decálogo onde muitos
entendem que alguns casos tratam de coisas que não têm importância
para nós, mas considerando que YAOHU UL é eterno, as suas leis também
o são. As leis de Israel colocavam a nação em absoluto contraste com
as práticas das nações ao seu derredor. Suas leis humanitárias, morais
e religiosas, foram infinitamente superiores às leis de outros povos.
Algumas das restrições quanto a alimentos e sacrifícios podem ser bem
mais compreendidas à luz das práticas pagãs. Por exemplo: Proibia
cozinhar o cabrito no leite de sua mãe, o que era um rito religioso
dos cananeus (Êx. 23:19).
Destacam-se algumas características distintivas do código hebreu. Todo
o código se baseia na autoridade de YAOHU UL e não na de um rei. Não
há divisão entre a lei civil e a religiosa; as leis morais, legais e
religiosas estão entretecidas e são inseparáveis. Isto demonstra que
YAOHU UL se interessa por todos os aspectos da vida. As leis eram
aplicadas sem fazer acepção de pessoas segundo sua categoria. Protegem
os indefesos tais como os escravos, os órfãos, as viúvas e os
estrangeiros. Os castigos da lei manifestam um alto conceito do valor
da vida humana.
A lei do talião (pena igual à ofensa), “olho por olho,
dente por dente” (Ex. 21:23-25), não foi dada para que a
pessoa ultrajada exercesse vingança, mas para que não quisesse
compensar-se com mais do que era justo. Já não seria vingado sete
vezes um delito contra seu próximo (Gn. 4:15-24). Ratificado o pacto: A ratificação do pacto foi uma
das cerimônias mais solenes da história das doze tribos, já que por
ela ficaram estreitamente unidas a YAOHU UL. Quando Moisés desceu do
monte, deu a lei ao povo que a aceitou prometendo fazer tudo o que
YAOHU UL havia dito. Então Moisés escreveu as condições do pacto no
“livro do concerto”. No dia seguinte o pacto foi firmado com um voto
de obediência e selado com sacrifício. O altar representava YAOHU UL;
as colunas, as doze tribos; o sangue aspergido sobre o altar e sobre o
povo ligou com um vínculo sagrado as partes contratantes. Todo o
Israel estava “sob o sangue” e identificado com seu poder salvador. Os
setentas anciãos participaram com YAOHU UL de um banquete de comunhão
e presenciaram uma teofania majestosa. Assim foi ratificado o pacto do
Sinai e se assinalou o cumprimento da promessa divina: “E eu
vos tomarei por meu povo, e serei vosso UL” (Ex. 6:7). Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal
YITRÓ –Esta parashah enfoca três temas básicos:
A visita do sogro de Moisés, A subida de Moisés ao monte Sinai
e Os Dez Mandamentos. Jetro visita Moisés. Recaía sobre os ombros de Moisés
a tarefa de organizar uma multidão tão grande e julgar o povo mesmo
nas coisas insignificantes que surgiam entre eles a cada momento. Ele
procurava fazer tudo em vez de repartir trabalhos e responsabilidades
entre diversas pessoas. Quando seu sogro Jetro o visitou, trazendo-lhe
sua esposa e filhos, Moisés recebeu seu conselho. Organizou Israel em
grupos e colocou chefes sobre estes para resolver as dificuldades.
Moisés demonstrou grande sabedoria e humildade ao receber as sugestões
de outros.
Parece que nesta ocasião Jetro se converteu à religião do Senhor. Ao
ouvir falar dos prodígios que YAOHU UL havia feito, Jetro reconheceu
que YAOHU UL era supremo sobre os deuses pagãos e lhe ofereceu
sacrifício (Ex.18.8,12). A subida ao Sinai: Israel chegou ao monte Sinai
aproximadamente seis semanas após sua partida do mar Vermelho. Ali
permaneceu quase um ano (Núm.10.11). A montanha conhecida hoje como
monte Sinai “é uma massa isolada de rocha que se levanta abruptamente
da planície com imponente majestade”. O teólogo Ross observa: “Este
local era muito apropriado para a promulgação da Lei. Havia uma
magnífica concordância entre as rochas de granito do Sinai e os
fundamentos duradouros da moral eterna”.
Ao pé do monte Sinai, Israel recebeu a lei e fez aliança com YAOHU UL
como seu Rei. Esta forma de governo chama-se teocracia. Nota-se nas
palavras Alexander MacLaren a importância dos Dez Mandamentos:
“Uma obscura tribo de escravos procedentes do Egito submerge nos
desertos e depois de quarenta anos sai com um código sintetizado em
dez frase, muito breves porém completas, onde estão entretecidas a
moral e a religião, tão livre de peculiaridades locais ou nacionais e
tão estritamente relacionadas com os deveres fundamentais, que hoje,
após três mil anos, esse código é autoridade entres a maioria dos
povos civilizados.”
O pacto da lei não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi
celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e
sangue. YAOHU UL já havia restaurado Israel à justa relação com Ele,
mediante a graça. Israel já era seu povo. YAOHU UL desejava dar-lhe
algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação
mais intima com ele. O motivo que levasse a cumprir a lei haveria de
ser o amor e a gratidão a YAOHU UL por havê-los redimido e feito
filhos seus.
YAOHU UL prometeu três coisas condicionadas à obediência de Israel
(Ex.l9.5,6) * Israel seria sua “propriedade peculiar” ou
possessão. Implica tanto um valor especial como uma relação íntima. O
Senhor escolheu a Israel dentre todas as nações para seu povo especial
e para ser como sua esposa (Isaías 54.5). * Seria um “reino sacerdotal”. Os israelitas teriam
acesso a YAOHU UL e deveriam representar o Senhor, seu Rei, perante o
mundo inteiro.
* Seria “povo santo”, diferente das nações pagãs que o
rodeavam, uma nação separada para de YAOHU UL, a que serviria e
prestaria culto.
Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, mas não
percebera quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência
para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam
obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era
incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do
favor divino (Jeremias 7.4-16).
Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse
ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela
desobediência.
Em geral são propósitos da Lei:
* Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos
possam demonstrar que são filhos de YAOHU UL e viver em justa relação
com seu Criador e com o próximo. * Demonstrar que YAOHU UL é Santo e Ele exige a
santidade de toda a raça humana. * Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e
fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva.
A Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e
ajudá-lo a permanecer em contato com YAOHU UL. Mas junto com a Lei
foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o
pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça.
Os profetas posteriores demonstraram que sem fé e amor as formas,
cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Miquéias 6.6-8; Amós
5.21-24; Oséias 6.6; Isaías 1.1-15f).
Para gravar na mente hebraica a importância do pacto da Lei, YAOHU UL
se apresentou em forma de nuvem, figura que Israel não poderia
reproduzir, e pronunciou o Decálogo em voz troante. A santidade
infinita de YAOHU UL foi ressaltada pelos preparativos que Israel
devia fazer. Primeiro, os israelita tinham de santificar-se lavando
suas vestes e praticando a continência. Segundo, Moisés devia marcar
ao povo um limite em torno do monte Sinai para que os israelitas não o
tocassem. Assim se acentuaram a grandeza inacessível de YAOHU UL e sua
sublime majestade.
“Do meio de uma tremenda tempestade, acompanhada de terremotos e do
som sobrenatural de trombetas, com a montanha toda envolta em fumo e
coroada de chamas aterradoras, YAOHU UL falou as palavras dos Dez
Mandamentos e deu a Moisés a Lei.” Os Dez Mandamentos: YAOHU UL fez escrever os Dez
Mandamentos em duas tábuas de pedra. Foram guardadas dentro da arca
durante séculos. Portanto, deu-se ao Tabernáculo o nome de “tenda do
testemunho”, para lembrar aos israelitas que dentro da arca estava a
lei e que deviam viver de acordo com ela. Os primeiros quatro
mandamentos tratam das relações que devem imperar entre os homens e
YAOHU UL, e os restantes têm que ver com as relações dos homens entre
si. A ordem é muito apropriada. Somente os que amam a YAOHU UL podem
em verdade amar o próximo.
O significado dos Dez Mandamentos consiste no seguinte: 1º A unicidade de YAOHU UL: “Não terás outros
deuses diante de mim”. Há um só YAOHU UL e só a ele havemos
de oferecer culto. Adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa
é violação do primeiro mandamento. 2° A espiritualidade de YAOHU UL: ”Não farás
para ti imagem”. Maldito o homem que fizer imagem
de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor.
Dt.27:15. Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de
deuses falsos, mas também o prestar culto ao verdadeiro YAOHU UL de
forma errada. Tais coisas desagradam ao Criador, YAOHU UL é espírito e
não tem forma. 3° A santidade de YAOHU UL: ”Não tomarás o
nome do Senhor teu YAOHU UL em vão”. Este mandamento inclui
qualquer uso do nome de YAOHU UL de maneira leviana. Blasfema ou
insincera. Deve-se reverenciar o nome Divino porque revela o caráter
de YAOHU UL. 4° A soberania de YAOHU UL: “Lembra-te do dia
do Sábado, para o santificar”. Um dia da semana pertence a
YAOHU UL. Reconhece-se a soberania de YAOHU UL guardando o dia de
repouso, visto que esse dia nos lembra que YAOHU UL é o Criador a quem
devemos culto e serviço. “Santificar” o dia significa separá-lo para
culto. 5° Respeito aos representantes de YAOHU UL. “Honra
a teu pai e a tua mãe”. O homem que não honra a seus pais
tampouco honrará a YAOHU UL, pois esta é à base do respeito a toda a
autoridade. 6° A vida humana é sagrada: “Não matarás”.
Este mandamento proíbe o homicídio mas não a pena capital, visto que a
própria Lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra,
visto como o soldado atua como agente do estado. 7° A família é sagrada: “Não adulterarás”.
Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada
instituída por YAOHU UL. Isto vigora tanto para o homem como para a
mulher (Levítico 20.10). 8° Respeito à propriedade alheia: “Não
furtarás”. Há muitas maneiras de violar este mandamento, tais
como não pagar o suficientemente ao empregado, não fazer o trabalho
correspondente ao salário combinado, cobrar demasiado, descuidar a
propriedade do senhor, … 9° A Justiça: “]Não dirás falso testemunho”.
O testemunho falso, desnecessário, sem valor ou sem fundamento
constitui uma das formas mais seguras de arruinar a reputação de uma
pessoa e impedi-la de receber tratamento justo por parte dos outros. 10° O controle dos desejos: “Não cobiçarás”.
A cobiça é o ponto de partida de muitos pecados contra YAOHU UL e
contra os homens.
As palavras “porque eu, o Senhor teu YAOHU UL, sou YAOHU UL zelos, que
visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração
daqueles que me aborrecem” (Ex.20.3) devem ser interpretadas à luz do
caráter de YAOHU UL e de outras escrituras. YAOHU UL é zeloso no
sentido de ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a
outros deuses. Como um marido que ama sua esposa não permite que ela
reparta seu amor com outros homens - Porque o teu Criador
é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de
Israel é o teu Redentor; Ele será chamado o YAOHU UL de toda a terra.
Is.54:5. YAOHU UL não tolera nenhum rival.
YAOHU UL não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos
casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que
o “aborrecem” e não os arrependidos. “A alma que pecar, essa morrerá”;
“o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do
filho” (Ezequiel 18.20). Em vez disso, a maldade passa de geração a
geração pela influência dos pais quando chega a seu ponto culminante,
YAOHU UL traz castigo sobre os pecadores (Gênesis 15.16; 2° Reis
17.6-23). Shabat Shalom! MSc. Moshe ben Mazal
BESHALACH – A
presente parashah enfoca: A travessia do mar Vermelho,
A importância do êxodo, Israel indo para o Sinai, as Provações do deserto e a
Guerra com Amaleque com a ajuda Divina.
A travessia do mar Vermelho:
YAOHU UL mesmo se constituiu em guia de seu povo manifestando-se em uma coluna
de nuvem e de fogo. Por que Ele não conduziu Israel pela rota curta ao longo da
linha costeira do mar Mediterrâneo? Porque nessa rota havia fortes guarnições
egípcias e na Palestina o esperavam os belicosos filisteus. Se os israelitas
seguissem por ali, teriam de lutar imediatamente. Como escravos recém-libertos,
os hebreus não estavam preparados para lutar nem para entrar na terra prometida.
Necessitavam ser organizados e disciplinados na escola do deserto, receber o
pacto da Lei e o desenho do Tabernáculo. Além do mais, YAOHU UL os levou ao sul,
para o mar Vermelho (possivelmente o mar de Canas) para levar Faraó à sua
derrota final e desse modo destruir a ameaça egípcia e libertar para sempre os
israelitas do Egito.
YAOHU UL colocou os hebreus em uma situação muito perigosa.
Estavam encerados por montanhas, pelo deserto e pelo mar, e de repente viram o
exército egípcio que se aproximava deles; YAOHU UL quis revelar-se como único
guerreiro da batalha e protetor de seu povo dando-lhe um livramento
inesquecível. Ao verem os egípcios, os israelitas perderam sua confiança e
começaram a lançar culpa sobre Moisés, porém Moisés sabia a quem recorrer em
busca de ajuda. O fato de que o mar Vermelho se abrisse foi milagroso. Embora
YAOHU UL tenha usado seu servo e um forte vento como instrumento para abrir o
mar, o poder era Dele. Somente por um milagre pôde o vento ter soprado em duas
direções ao mesmo tempo, amontoando a água de um lado e a outro do caminho
aberto pelo leito do mar. A coluna de nuvem converteu-se na retaguarda de
Israel, de maneira que a própria coluna que foi uma bênção para os israelitas,
constituiu-se em obstáculo para seus inimigos. Os israelitas atravessaram pelo
leito seco e o exército inimigo foi afogado. Um dos estudiosos observa que a
travessia do mar Vermelho foi para Israel a salvação, a redenção, e o juízo de
YAOHU UL, tudo em um mesmo ato.
Depois do espetacular livramento, os hebreus cantaram louvores
ao Eterno pelo triunfo. A primeira parte do cântico de Moisés trata da vitória
sobre os egípcios, a segunda profetiza a conquista de Canaã. Foram compostos
para reconhecer a bondade e o inigualável poder de YAOHU UL, mediante os quais
salvou a seu povo.
A importância do êxodo: Ao longo
da história de Israel, legisladores, profetas e salmistas repetidamente
assinalaram o caráter providencial, extraordinário e miraculoso dos
acontecimentos que acompanharam a saída de Egito e, em especial, a travessia do
mar Vermelho. Quando os hebreus se lembrassem desses favores, deviam sentir-se
movidos à gratidão e à observância da Lei.
O êxodo do Egito foi o acontecimento mais significativo na
história da nação, tão grande era a importância deste sucesso, que o Senhor
YAOHU UL em todo o Tanach (Antigo Testamento) é “o que nos fez subir. . . da
terra do Egito.” (Js. 24:17; Am. 2:10; Mq. 6:4; Sl. 81:10 … ).
Israel vai para o Sinai: YAOHU UL
conduziu Israel ao deserto, onde encontraram um lugar muito quente, estéril e
vazio. Não havia água nem alimentos suficientes. Ali estiveram os israelitas em
perigo de morrer de fome e de sede além do perigo de serem atacados pelas tribos
aguerridas e ferozes. As dificuldades da caminhada no deserto são maiores do que
podemos imaginar. Toda a viagem por ali foi muito penosa. Por que YAOHU UL os
guiou por semelhante região? YAOHU UL tinha vários propósitos que concretizar:
1. YAOHU UL colocou os israelitas na escola preparatória do
deserto a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para
conquistarem a terra prometida, pois ainda não estavam em condições de enfrentar
as hostes de Canaã, nem estavam desenvolvidos espiritualmente para servir a
YAOHU UL desde o momento da entrada na terra. Embora tenham sido libertados da
escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de
covardia, murmuração e rebeldia.
2. YAOHU UL desejava que os israelitas aprendessem a depender
inteiramente Dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, YAOHU UL
começou a submetê-lo a uma séria de provas, tendo em vista desenvolver e
fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir
tais elementos era confiarem em YAOHU UL. O deserto era uma praça de esportes
onde se podia desenvolver os músculos espirituais.
3. YAOHU UL conduziu-os a deserto para prová-los e trazer à
luz o que havia em seus corações (Dt. 8:2,3). Obedecer-lhe-iam ou não? As provas
e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência,
no cuidado e no amor de YAOHU UL.
Provações no deserto:
1. Desilusão em Mara: a árvore que tornou doces as
águas: Decorridos três dias de viagem pelo deserto de Sul, os israelitas
chegaram finalmente às fontes de Mara. Todavia, quão grande foi sua desilusão!
As águas eram amargas. Imediatamente o povo começou a queixar-se, porém Moisés
clamou a YAOHU UL. Eles não perceberam que YAOHU UL ali os provou. Não existe
nenhuma prova de que a árvore que foi lançada nas fontes tivesse a propriedade
de tornar potáveis as águas. YAOHU UL tornou-as doces. O milagre não somente
mostrou que YAOHU UL tinha cuidado de seu povo, como também simbolizou no começo
desta viagem que adoçaria as amargas experiências futuras se os israelitas
buscassem sua ajuda.
a) Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na
travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.
b) De igual maneira, assim como há épocas de severas
provações, também á tempos de refrigério na presença do Eterno. Após a saída de
Mara chegaram a Elim onde havia água em abundância além de palmeiras.
c) As provas ofereceram uma solução muito acessível. Que
significa a árvore lançada na água? Ao aceitar as provas como permitidas por
YAOHU UL, as amargas experiências tornam-se doces.
d) A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se
outro aspecto do caráter de YAOHU UL, por meio de um novo nome: Jeová
Rafah, ou seja, o Senhor que sara ou, YAOHU UL provê a cura tanto
material como espiritual. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural,
assim YAOHU UL cura a seu povo, pois está em sua natureza o curar. YAOHU UL é a
saúde de seu povo. Se lhe obedecessem, Ele não traria nenhuma das enfermidades
mediante as quais julgou os egípcios.
2. A fome e o maná: Os israelitas sentiram fome no
deserto e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se
da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As
queixas eram dirigidas contra Moisés, porém em realidade murmuravam conta YAOHU
UL, porém Ele retribui-lhes o mal com o bem; proveu codornizes e maná.
Grandes bandos de codornizes em suas viagens migratórias
atravessam com freqüência o mar Vermelho e a península do Sinai. Esgotadas pelo
longo vôo sobre o mar, às vezes grandes quantidades delas caem e são fáceis de
caçar. YAOHU UL levou-as ao acampamento dos israelitas nesta ocasião e somente
uma vez mais na marcha através do deserto ocorreu este fato. (Nm. 11: 31,32)
De modo natural YAOHU UL providenciou as codornizes, porém a
provisão de maná foi um fato completamente milagroso. “Chovia” pão do céu.
Durante todo tempo de peregrinação pelo deserto, o maná caía todas as noites
juntamente com o orvalho. Era moído em moinhos ou em grãos e cozidos em panela
para fazer pão. A ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa.
Destacam-se alguns ensinos:
a) YAOHU UL deseja ensinar a seu povo, por meio do maná, a
confiar Nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia
de amanhã. YAOHU UL provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do
sábado. É importante destacar que YAOHU UL nunca falhou com Seu povo nos
quarenta anos de peregrinação.
b) Por meio do maná YAOHU UL quis ensinar seu povo a não ser
preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse dádiva do céu, cada família tinha de
fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito
do que necessitava nada lhe sobrava.
c) YAOHU UL também desejava ensinar os hebreus a
obedecerem-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por
incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, o pão do
céu bichava e apodrecia. Ou se passava por alto a ordem de recolher uma porção
dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia
não caía maná do céu. Desse modo YAOHU UL provou a seu povo e o preparou para
receber a lei.
3. A sede e a rocha de Horebe: Em vez de aprender a
suportar as dificuldades, os israelitas murmuravam ainda mais. Os perigos, as
aperturas e desconfortos parecem aumentar a irritação, a agitação e a ira.
Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, desiludiram-se.
A falta de água causou sofrimento cuja severidade pode-se avaliar. Mas isto não
justificava a reação dos israelitas. Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em
sua incredulidade provocaram a YAOHU UL. Desconfiavam do cuidado do Eterno e com
sarcasmo falaram a respeito da presença de YAOHU UL no meio deles a qual se
manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e
em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (prova)
e Meribá (contenda). O líder levou consigo os anciãos de Israel afim de que
presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho.
4. Guerra com Amaleque e a ajuda divina: Enquanto YAOHU
UL trabalhava na vanguarda, uma tribo saqueadora, Amaleque, atacou pela
retaguarda. As tribos nômades estavam sempre prontas para lançar-se sobre a
presa, onde quer que houvesse oportunidade. Desta vez YAOHU UL mudou seus
métodos e permitiu que Israel tomasse parte em sua própria salvação. Josué teria
de ser o general da primeira batalha contra homens ímpios. Por que Moisés não
dirigiu a batalha? YAOHU UL não quer que uma única pessoa faça tudo. Ele dá
diferentes ministérios a homens diferentes. Ao Moisés cabia subir ao outeiro e
desempenhar sua função espiritual. A vara representava a autoridade de YAOHU UL,
e as mãos levantadas, a intercessão. Como necessitamos em nossos dias de
homens como Aarão e Hur que lhes sustentem os braços! As orações de
Moisés, combinadas com os esforços dos israelitas, tornaram eficazes as armas.
O juízo severo contra Amaleque foi pronunciado porque Amaleque
levantou a mão contra o trono de YAOHU UL, isto é, recusou-se a reconhecer que
era o Eterno quem operava maravilhas a favor de Israel. Os amalequitas
provocaram a ira de YAOHU UL atacando desapiedadamente os fracos e cansados que
ficavam para trás. (Dt. 25:17- 19)
Quando Moisés deu ao altar o nome de “O Senhor é minha
bandeira”, reconheceu que o próprio YAOHU UL era Seu libertador e General. Por
isso esse nome de YAOHU UL se relaciona com a milícia de seu povo.
Façamos deste comentário, a real bandeira para nossa vida
espiritual!
Shabat Shalom!
BO – Endurecimento do coração de Faraó: As
imitações dos primeiros milagres de Aarão e Moisés por parte dos feiticeiros
desacreditaram o poder do Eterno aos olhos de Faraó. Mas a vara de Aarão devorou
as dos feiticeiros e isto constituiu indício da vitória final.
Faraó destaca-se por sua teimosia ao enfrentar os juízos de YAOHU UL. Seu
arrependimento foi superficial, transitório e motivado apenas pelo medo e não
pelo reconhecimento da necessidade que tinha de YAOHU UL. Embora se mantivesse
obstinado, quebrando sua promessa toda vez que uma praga era suspensa, ia
cedendo mais e mais as exigências de Moisés. Primeiro permitiu que os israelitas
oferecessem sacrifícios dentro dos limites do Egito; depois, longe, porém com a
condição que fossem somente os homens, e por fim permitiu que todos pudessem ir
longe para sacrificar, mas deixando seu gado no Egito.
O texto bíblico mostra claramente que o Eterno ia endurecendo o coração de
Faraó, mas é evidente que o coração do rei já estava obcecado e cheio de orgulho
quando Moisés se apresentou perante ele pela primeira vez. As três palavras
empregadas para indica a atitude de Faraó denotam a intensificação de um
sentimento que já existia. YAOHU UL endureceu o coração de Faraó pela primeira
vez após a sexta praga. O Eterno fez de Faraó o que este queria ser: o opositor
de YAOHU UL. Apesar de tudo, o endurecimento do coração de Faraó deu a YAOHU UL
a oportunidade de manifestar seu poder cada vez mais até que causasse uma
impressão profunda e duradoura não somente nos egípcios e israelitas mas também
nas nações distantes tais como os filisteus.
Israel sai do Egito
A Páscoa: A páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país,
e mais ainda. O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício páscoa
possibilitaram o livramento da escravidão e a peregrinação do povo para a terra
prometida. A pascoal é um simbolismo profético do Messias, da salvação e do
andar pela fé a partir da redenção. Além do livramento do Egito, a páscoa se
constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida
nacional. Ocorreu no mês de Abibe (chamado Nisan na história posterior), que
corresponde aos nossos meses de março e abril.
A palavra páscoa significa passar de largo, pois o anjo destruidor passou de
largo as casa onde havia sido aplicado o sangue nas ombreiras e na verga da
porta. Os detalhes do sacrifício e as ordenanças que o acompanhavam são muito
significativos.
- O animal para o sacrifício devia ser um cordeiro macho de um ano, isto é,
um carneiro plenamente desenvolvido e na plenitude de sua vida. Tinha de ser sem
mácula. Para assegurar que assim fosse, os israelitas o guardavam em casa
durante quatro dias.
- O cordeiro foi sacrificado pela tarde como substituto do primogênito. Por
isso morreram os primogênitos das casas egípcias que não creram. Aprendemos que
o “salário (o pagamento) do pecado é a morte”, porém YAOHU UL proveu um
substituto que “foi ferido pelas nossas transgressões” Is.53:5.
- Os israelitas tinham de aplicar o sangue nas ombreiras e na verga das portas,
indicando sua fé pessoal, aprendemos que somente pela fé a pessoa está salva da
ira de YAOHU UL. O anjo exterminador representa a sua ira.
- As pessoas tinham que permanecer dentro de casa, protegidas pelo sangue.
Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?
- Tinham de assar a carne do cordeiro e come-la com pão sem fermento e ervas
amargas. O fato de assar em vez de cozer o cordeiro exemplifica a perfeição do
sacrifico do Messias e o fato de que deve ser recebido por completo. Assim os
hebreus comeram a carne que lhes daria força para a peregrinação. O pão sem
fermento simboliza a sinceridade e a verdade enquanto que as ervas amargas
provavelmente representavam as dificuldades e as provações que o acompanhavam à
redenção.
- Os israelitas deveriam come-lo em pé e vestidos como viajantes a fim de que
estivessem preparados para o momento de partida. simboliza a nossa prontidão
para com as ordens divinas expressa não nó na Torah, mas também na Tanach,
através das profecias.
Desejamos um
Shabat Shalom !
MSc. Moshe ben Mazal
VAERÁ
– A dureza de Faraó: Com intrepidez Moisés e Aarão se
apresentaram na sala de audiências de Faraó e lhe comunicaram a
exigência do Eterno.
Por que YAOHU UL exigiu de Faraó somente a permissão de que seu povo
fosse ao deserto para celebrar festa por três dias, quando pensava em
efetuar sua saída permanentemente? YAOHU UL provou ao rei com uma
petição pequena sabendo com antecedência a dureza de seu coração.
Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o YAOHU UL, cuja voz eu
ouvirei?” os faraós eram vistos como filhos de Rá, o deus solar do
Egito, de maneira que Faraó se considerava a si mesmo um deus. Não
tardou em comunicar a única razão pela qual desejavam celebrar a festa
era estar demasiado ocioso, e tornou mais pesado o trabalho dos
hebreus negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos.
A atitude de Faraó não somente deixou os hebreus mais desejosos de
sair do Egito, mas também os ajudou a perceber que somente o poder de
YAOHU UL poderia livrá-los. Com freqüência, quando YAOHU UL começa a
emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de
dificuldades. Assim os primeiros feitos de Moisés só pioraram a
situação, pois o inimigo de nossas almas (satanás) não se dá por
vencido sem lutar tenazmente.
Os hebreus culparam amargamente a Moisés e este, por sua vez protestou
perante o Eterno. Foi Faraó quem disse: “Quem é o YAOHU UL?” contudo,
Faraó e os egípcios não eram os únicos que necessitavam ver a natureza
de YAOHU UL. Israel o necessitava, e Moisés também. YAOHU UL respondeu
a seu desanimado servo, reiterando as promessas feitas aos patriarcas
e de novo prometeu livrar a seu povo.
Os israelitas encontravam-se tão desanimados depois da negativa de
Faraó que não quiseram sequer ouvir a Moisés quando este lhes
transmitiu o que o Eterno lhe havia revela. Era óbvio que se YAOHU UL
os salvava, tinha de faze-lo por pura graça. Somente depois que Israel
veio a sentir-se completamente impotente foi que YAOHU UL começou a
revelar-se por meio das pragas. O Eterno mandou Moisés dizer a Faraó
que deixasse o povo hebreu sair. Prometeu fazer de Moisés um operador
de prodígios, de modo que Faraó o visse como um deus e Aarão,
porta-voz de Moisés, fosse visto como profeta. As pragas: Uma das palavras hebraicas que se traduzem
por praga no êxodo significa dargolpes
ou ferir. Outras duas palavras descrevem as pragas como
sinais e juízos. De modo que as pragas foram tanto
sinais divinos que demonstraram que o Eterno é YAOHU UL supremo, como
atos divinos pelos quais YAOHU UL julgou os egípcios e libertou a seu
povo.
As pragas foram resposta de YAOHU UL à pergunta de Faraó: ”Quem é o
YAOHU UL, cuja voz eu ouvirei?” Cada praga foi, por outro lado, um
deságio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria. Os egípcios
prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o sol, a
Lua, a Terra, o touro e muitos outros animais. Agora as divindades
egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o
Eterno, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de
ninguém.
A ordem das pragas é a seguinte: - A água do Nilo converteu-se em sangue. Foi um golpe
conta Hapi, o deus das inundações do Nilo. - A terra ficou infestada de rãs. Os egípcios
relacionavam as rãs com os deuses Hapi e Ecte. - A praga dos piolhos (talvez mosquitos). O pó da
terra, considerado sagrado no Egito, converteu-se em insetos muitos
importunadores. - Enormes enxames de moscas encheram o Egito. Deve
ter sido um tormento para os egípcios. - Morreu o gado. Amom, o deus adorado em todo o
Egito, era um carneiro, animal sagrado. No Baixo Egito eram adoradas
diversas divindades cujas formas eram de carneiro, de bode ou de
touro. - As cinzas que os sacerdotes egípcios espalhavam
como sinal de bênção causaram úlceras dolorosas. - A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a
vegetação, destruiu as colheitas de cevada e de linho e matou os
animais do Egito. Este tipo de tempestade era quase desconhecido no
Egito. O termo trovão em hebraico significa literalmente vozes
de YAOHU UL e aqui se insinua que YAOHU UL falava em juízo.
Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de YAOHU UL,
salvaram seu gado. - A praga de gafanhotos trazida por um vento oriental
consumiu a vegetação que havia sobrado da tempestade de saraiva. Os
deuses Isis e Seráfis foram impotentes, eles que supostamente
protegiam o Egito dos gafanhotos. - As trevas que caíram sobre o país foram o grande
golpe contra todos os deuses, especialmente contra Rá, o deus solar.
Os luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a
densa escuridão. Foi um golpe direto contra o próprio fará, suposto
filho do Sol. - A morte dos primogênitos. O Egito havia oprimido o
primogênito do Eterno e agora eles próprios sofriam a perda de todos
os seus primogênitos. Observação sobre as pragas: Calcula-se que o período
das pragas tenha durado pouco menos de um ano. As primeiras três
pragas: sangue, rãs e piolhos caíram tento sobre Israel como na terra
egípcia, pois YAOHU UL quis ensinar a ambos os povos que erro o
Eterno. Mas os sete seguintes açoites castigaram somente aos egípcios
para que soubessem que o YAOHU UL que cuidava de Israel era também o
soberano do Egito e mais forte do que seus deuses. As pragas foram
progressivamente mais severas até que quase destruíram o Egito.
As nove primeiras pragas podem ser divididas em três grupos de três
pragas cada um. O primeiro grupo: água convertida em sangue, rãs e
piolhos causaram asco e repugnância. O segundo grupo: as moscas que
picavam a peste sobre o gado e as úlceras sobre os egípcios
caracterizavam-se por serem muito doloridas. O ultimo grupo: a
saraiva, os gafanhotos e as trevas foram dirigidas contra a natureza;
estas últimas produziram grande consternação. A morte dos primogênitos
foi o golpe esmagador.
Os feiticeiros egípcios imitaram os dois primeiros açoites, mas quando
o Egito foi ferido de piolhos, confessaram que o poder de YAOHU UL era
superior ao deles e que esta praga era realmente sobrenatural. Os
magos não tiveram de reproduzir a praga de úlceras. Não puderam
livrar-se a si mesmos dos terríveis juízos nem muito menos a todo o
Egito.
Em resumo, as pragas cumpriram os seguintes propósitos:
Demonstraram que o Eterno é o YAOHU UL supremo e soberano. Tanto os
israelitas como os egípcios souberam quem era o Eterno
Derrocaram as divindades do Egito.
Castigaram os egípcios por haverem oprimido aos israelitas e por lhes
haverem amargado tanto a vida.
Efetuaram o livramento de Israel e o prepararam para conduzir-se em
obediência e fé. Shabat Shalom. MSc. Moshe ben Mazal
Servidão no Egito:
Ex.1. Transcorreram aproximadamente trezentos anos desde a morte de José. Os 70
hebreus que haviam se radicados no fértil delta do rio Nilo multiplicaram-se em
centenas de milhares. Mas o povo israelita, outrora objeto do favor de Faraó, é
agora escravo temido e odiado do rei egípcio.
A situação política mudou radicalmente no
Egito. Os hicsos, povo que havia ocupado o país durante quase dois séculos,
foram expulsos, e o Alto Egito e o Baixo Egito voltaram a unificar-se. O Egito
chegou ao apogeu de seu poderio militar e se inicia um grande programa de
construção de cidades de depósito. Uma nova família de faros assenta-se no trono
egípcio e os serviços que José prestou ao Egito constituem apenas uma modesta
lembrança do regime odiado que desapareceu. Não há gratidão para com os hebreus
nos corações egípcios. Vêem com alarma o assombroso e sobrenatural crescimento
da população israelita. Converter-se-ia gósen em uma via de entrada para
conquistadores estrangeiros? Aliar-se-iam os israelitas e invasores para
derrotar os egípcios? Por outro lado, Faraó não quer que os hebreus se retirem.
Com dureza os obrigará a servir como escravos e desse modo os diminui8rá em
numero; ao mesmo tempo se valera deles para realizar a construção de obras
publicas. Faraó organiza os hebreus em grupos sob capatazes para tirar barro e
fazer tijolos, construir edifícios, canais e prepara fossos, para irrigação.
Porque o Eterno permitiu que seu povo fosse tão
cruelmente oprimido? Queria que nascesse neles o desejo de sair do Egito. É
provável que os israelitas estivessem tão contentes em Gósen que se houvessem
esquecido do concerto abrâmico pelo qual YAOHU UL lhes havia prometido a terra
de Canaã. Alem disso, alguns dos israelitas apesar de viverem em Gósen separados
dos egípcios, começaram a praticar a idolatria (Js.24:14;Ex.20:7,8). Tão grande
foi sua decadência espiritual que o Egito se converteu em símbolo do mundo e os
israelitas chegaram a representar o homem não regenerado. Era preciso algo
drástico para sacudi-los a fim de que desejassem retornar à terra prometida.
Não obstante, YAOHU UL frustra o plano de
Faraó. Quanto mais os egípcios oprimem aos hebreus, tanto mais se multiplicam e
crescem. A tentativa de exterminar os hebreus matando os recém-nascidos do sexo
masculino e conservando a vida das meninas pensando que elas se casariam com
egípcios e assim perderiam sua identidade racial. A situação dos israelitas
tornou-se grave. Para sobreviver como raça necessitavam de um libertado.
A preparação de Moisés:
Ex.2. Moisés figura junto a Abraão e Davi como um dos três maiores personagens
do Tanach. Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo
um grande homem de YAOHU UL. Quase se pode dizer que o livro de Êxodo é a
história de um homem, do homem Moisés que representa o ponto central em torno do
qual gira a crise do plano da redenção. No coração dele verifica-se o conflito,
ele recebe a comunicação de YAOHU UL para o povo e sobre ele pesa toda a carga
das peregrinações. É ele quem recebe o golpe da critica do povo, pois se acha
como mediador entre o povo e YAOHU UL e intercede perante YAOHU UL a favor
deles.
Moisés narra o começo de sua história com tanta
simplicidade e modéstia que nem mesmo menciona o nome de seus pais. São notáveis
os fatores que YAOHU UL empregou para livrar o futuro libertador mediante a
pequena arca: o amor perspicaz de Joquebede, a mãe, o choro do nenê, a compaixão
da princesa e a sagacidade de Miriã, irmãzinha de Moisés. A seguir YAOHU UL fez
mais do que os pais esperavam, pois lhes devolveu o menino para que o criassem e
a mãe foi paga por seu trabalho.
YAOHU UL preparou a Moisés para ser líder e
libertado de seu povo. A mão divina evidencia-se passo a passo:
- Moisés foi criado em um lar piedoso, pelo
menos durante os primeiros cinco ou sete anos de sua vida, e assim aprendeu a
ter não somente fé em YAOHU UL mas também simpatia e a mor por seu povo
oprimido.
- Foi educado no palácio do Egito, põe-se em
relevo a providência divina em que por meio do decreto de matança Moisés foi
conduzido ao palácio. Ali recebeu a melhor educação que o maior e mais culto
império daquele tempo oferecia. A permanência no palácio não somente contribuiu
para faze-lo “poderoso em suas palavras e obras” mas também o livrou do espírito
covarde e servil de um escravo. A filha de Faraó foi possivelmente, Hatsepute
que, segundo a tradição judaica, era casada mas não tinha filhos e desejava
ardentemente ter um filho.
- Adquiriu experiência no deserto. Aos 40 anos
de idade, Moisés identificou-se com o povo israelita e procurou libertá-lo por
suas próprias forças.mas, nem Moisés estava preparado para libertá-lo, nem o
povo para ser libertado. Parece que Moisés dava mostras de arrogância,
provocando a pergunta: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?”
como pastor, Moisés aprendeu muitas lições que o ajudariam a governar com
paciência e humildade os hebreus, pois como as ovelhas, eram embrutecidos,
indefesos e não sabiam cuidar de si mesmos. Conheceu também o deserto através do
qual guiaria a Israel em sua peregrinação de quarenta anos. Alem disso teve
comunhão com YAOHU UL e chegou a conhece-lo pessoalmente. Ali aprendeu a confiar
nele e não em sua própria força.
Chamamento e comissão de Moisés:
Ex.3-4. Moisés foi chamado enquanto pastoreava ovelhas no sopé do monte Horebe
ou Sinai. O fogo na sarça simbolizava a presença e santidade purificadora de
YAOHU UL (Gn.15:17; Dt.4:24), e a sarça talvez representava a Israel em sua
baixa condição. Como a sarça ardia sem consumir-se, assim Israel não foi
consumido no forno da aflição. YAOHU UL revelou a Moisés a compaixão que sentia
pelo povo oprimido e depois delineou os pormenores de seu plano para libertá-lo.
Moisés estava pouco disposto a aceitar a
comissão de YAOHU UL. Respondeu com quatro escusas:
- Quem eu sou, que vá a Faraó?
- Em nome de quem me apresentarei diante de meu
povo?
- Os israelitas não vão acreditar que eu sou o
mensageiro de YAOHU UL.
- Não tenho facilidade de palavras.
Contestadas suas escusas, Moisés aceitou seu
chamado e nunca mais olhos para trás. De imediato deu início à sua missão
voltando ao Egito. O acontecimento segundo o qual YAOHU UL quis matar a Moisés
(4:24-26) provavelmente fazendo–o enfermar a ponto de morrer, explica-se como
uma advertência para circuncidar a seu filho. YAOHU UL não faz acepção de
pessoas e os grandes servos de YAOHU UL devem obedecer-lhe tanto como os demais.
“Se Moisés se tivesse apresentado perante o povo israelita sem haver
circuncidado a seu filho, sem haver cumprido o Antigo Concerto, ter-se-ia
anulado sua influência juntos deles.”
Aarão uniu-se a Moisés no caminho e juntos
trouxeram aos anciãos a promessa de livramento e lhes demonstraram os sinais.
Acendeu-se a fé entre os hebreus e, muito em breve outras pessoas de Israel
receberam as notícias (possivelmente reuniões secretas) e se inclinaram perante
YAOHU UL em louvor e adoração.
Jacó
contempla o futuro abençoando a seus descendentes e profetizando: Embora
Jacó, junto com sua família, desfrutasse do melhor do Egito, nunca perdeu a
visão do futuro. À semelhança de Abraão e Itzak, Jacó considerava sua vida
terrenal como uma peregrinação (47:9), pois “esperava a cidade . . . da qual
o artífice e construtor é YAOHU UL“. Tampouco se esqueceu das promessas da
aliança de que Israel seria uma nação e herdaria a terra de Canaã (48:3,4).
A confiança, tanto de José como de Jacó, de que os israelitas voltariam à
terra prometida se observa nas instruções que deram quanto à sua sepultura.
Jacó ordenou a seus filhos que o sepultassem no cemitério de Macpela, onde
se encontravam os restos de seus pais, avós e também de Léa, sua esposa.
José pediu-lhes também, que levassem seus ossos para Canaã porque “YAOHU UL
certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou
a Abraão, Itzak e a Jacó“ (50:42).
Ao abençoar
Jacó, seus filhos, foram constituídos pais das tribos de Israel, Jacó
profetizou com assombroso discernimento as características das doze tribos.
Rúben, por seu caráter impetuoso e instável, não cumpriu seu alto desígnio,
e por sua impureza moral fez-se indigno da proeminência. Sua tribo
caracterizou-se pela indecisão na época de Débora (Jz.5:15,16), e mais tarde
parece ter sido eclipsada por Gade. Por outro lado, de tempos em tempos foi
devastada por Moabe.
Os violentos
filhos de Simeão e de Levi foram amaldiçoados por seu aleivoso ataque contra
Siquém quando vingaram sua violada irmã Dinah (Gn.34). Em pouco tempo
ficariam dispersos entre as demais tribos de Israel. Simeão, no meio de
Judah (Js.19:1), foi absorvida principalmente por esta tribo, por outro lado,
a dispersão de Levi converteu-se em grande bênção, dado que esta tribo foi
honrada com a função sacerdotal e a espada da violência foi substituída pelo
cutelo do sacrifício. A mais importante bênção e a profecia mais
transcendente do presente capítulo é a que se refere à tribo de Judah
(49:8-12). O erudito Derek Kidner observa que esta profecia apresenta em
miniatura o esquema bíblico da história. Compara-se Judah ao leão por sua
valentia, força irresistível e supremacia sobre as outras tribos.
Historicamente, Judah foi posta à cabeça do acampamento israelita na
peregrinação pelo deserto (Nm.2:2-9; 10:14); foi divinamente designada para
ser a primeira em retomar a guerra contra os cananeus após a morte de Josué
(Jz.1:1,2); seu exército no período de Davi representava mais de um terço da
totalidade dos soldados israelitas (II Sm.24:9). “O Cetro (insígnia real ou
de comando) não se arredará de Judah.” A Judah foi concedida a grande honra
de ser o progenitor da dinastia real, a casa de Davi.
Pela fé Jacó
olhou para o futuro longínquo e contemplou a vinda do Messias. Judah
exerceria a autoridade real sobre as outras tribos “até que venha Shiloh”.
Não é claro o significado da palavra “Shiloh” no idioma hebraico, porém
muitos estudiosos da Tanach (Bíblia) a interpretam de uma ou outra maneira
por “pacificador” ou “aquele a quem pertence o direito real” não outro que o
Messias. A última interpretação indicaria que o Cetro ou símbolo de
autoridade real estaria em mãos de sucessivos reis de Judah até que viesse o
Rei a quem YAOHU UL reservava o direito de reinar e a quem as nações
renderiam homenagem (49:10). Ezequiel (21:26, 27) parece confirmar que
Gênesis 49:10 deve ser considerada claramente uma passagem messiânica. Esta
profecia antecipou o grande fato histórico de que a linhagem de Davi
chegaria a ser eterna no Messias, “o Leão de Judah e Príncipe da Paz”.
Alguns
comentaristas julgam que Gênesis 49:11,12 se refere à abundância de vinha no
território de Judah, porém outros crêem que o texto fala em sentido figurado
da exuberante abundância do reino universal do Messias, cujo advento é
profetizado no versículo anterior.
É
interessante notar como Jacó empregava outros símbolos de animais para
caracterizar certas tribos. Issacar é comparado a um jumento forte que não
perdeu seu vigor. À semelhança de muita gente, a tribo de Issacar estava
disposta a ceder sua liberdade a fim de obter segurança econômica e uma vida
sem riscos nem responsabilidade. Em vez de lutar por submeter os cananeus,
aceitou ser submetida por eles. A comparação de Dan a uma serpente venenosa,
que ataca sem aviso, talvez se refira profeticamente à tomada de Laís de
surpresa por essa tribo (Jz.18:7-9). Naftali seria como uma cerva solta;
efetivamente foi localizada em território fértil e tranqüilo. Nos capítulos
19 e 20 de Juízes nota-se algo da violência de um lobo na conduta dos
benjamitas. Assim Jacó previu com exatidão algo do caráter e destino das
tribos hebraicas. As bênçãos sobre seus filhos constituíram uma conclusão
apropriada do período patriarcal.
Lições da
vida de José: O livro de Gênesis termina com as palavras “num caixão no
Egito”. José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que
Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim
de ser levado para Canaã. Para os israelitas que estavam no Egito, o caixão
era um símbolo de esperança.
-
Podemos aprender muito estudando a história de José. Eis algumas lições que
podemos extrair:
-
Pureza pessoal. Se não fosse a vida religiosa de José e sua convicção quanto
à importância da pureza, teria sido arrastado por paixões carnais e teria
cedido à tentação. Mas resolvera levar uma vida pura e se conservou
imaculado.
- A
prosperidade nos negócios é possível para o fiel servo de YAOHU UL. YAOHU UL
fez José prosperar e ele é um exemplo para nós.
- A
importância de cuidar de nossos pais.
- Por
meio da humildade, obter a coroa. José sofreu como escravo e depois como
preso durante os anos de sua juventude. Foi perseguido pelos irmãos,
caluniado pela mulher de Potifar e esquecido pelo copeiro. Tudo sofreu com
paciência. Mas seus sofrimentos foram meios que o levaram a alcançar a coroa
de autoridade no Egito.
-
Toda a vida de José é um exemplo da providência Divina. YAOHU UL guiou todos
os passos de José, desviando das maldades dos homens e os contratempos da
vida para sua meta Divina.
A humilde
súplica de Judah –[/b] A intercessão comovente de Judah, saturada de
compaixão e amor para com seu irmão e pai, convenceu a José de que seu
arrependimento era verdadeiro e não podia fazer outra coisa senão revelar-se
a eles. Perdoou-lhes, e até mesmo os consolou dizendo-lhes que havia sido a
mão de YAOHU UL que o enviara ao Egito e não eles. Disse: “Pelo que YAOHU
UL me enviou diante de vossa face, para conservar a vossa sucessão na terra,
e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (45:7).
José não
somente perdoou a seus irmãos, mas proveu amplamente para satisfazer-lhes as
necessidades. Mandou que trouxessem suas famílias e Jacó para o Egito onde
habitariam na melhor região daquele país. YAOHU UL operou no coração de
Faraó a fim de que concedesse gratuitamente a Jacó e a sua família, parte do
Egito denominada Gósen. Assim demonstrou sua gratidão a José por haver
salvado o Egito da fome. Gósen era a região nordeste do delta ao Nilo,
separada geograficamente do restante do Egito, mas a vinte quilômetros da
sede central de José, Tânis.era um lugar rico e ideal para que os israelitas
levassem uma vida separada dos egípcios. Podiam ali viver juntos,
multiplicar-se, conservar seus costumes e falar seu próprio idioma. Também
seu trabalho como pastore ficava protegido da influência egípcia, pois os
egípcios menosprezavam aos pastores (46:34). Muito tempo antes, YAOHU UL
havia revelado que seu povo viveria em terra estanha (15:13-16). Agora
estava por cumprir-se. José foi o instrumento escolhido para transferir os
israelitas para o Egito.
Jacó e
sua família descem ao Egito: Gn. 46:1-47:27. A partir daqui até ao
capitulo 49 Jacó é a pessoa que mais se sobressai e se nota que já era um
patriarca digno do novo nome que lhe fora dado em Peniel, Israel (Gn.
32:30). Havia passado pela escola do sofrimento, incluindo sua fuga de Esaú,
suas dificuldades com Labão, a morte de sua amada Raquel, a humilhação de
Dinah e os muitos anos de solidão, durante os quais guardou luto por José.
Quase não podia crer na notícia de que José não havia morrido e que era o
governado do Egito. Ao ver os carros enviados por Faraó, o patriarca
adquiriu ânimo. YAOHU UL confirmou-lhe a visão na qual lhe havia indicado ir
para o Egito. Por isso não foi para a terra dos Faraós como um refugiado,
mas como chefe de uma família que, seguindo a promessa de YAOHU UL,
converter-se-ia em uma nação. A cena do reencontro do velho pai com seu
nobre filho é comovente, para Jacó era como receber um morto ressuscitado.
Para José, significava o ponto culminante da aprovação de YAOHU UL por sua
fé e paciência.
A seguir
José apresentou uma delegação de cinco de seus irmãos perante Faraó. Embora
este houvesse convidado toda a família a vir para o Egito, José queria estar
seguro de que não seria uma decisão passageira de Faraó. Era conveniente que
os egípcios soubessem também que Faraó estava perfeitamente de acordo com
que se radicassem no Egito.
A forma pela
qual José apresentou seu velho pai a Faraó demonstra o profundo respeito que
sentia por Jacó e que desejava expressar-lhe a honra mais assinalada.
Apresentou ao rei do Egito como se apresentasse um monarca. O rústico e
velho pastor demonstrou sua fé e dignidade nessa ocasião. Não se prostrou
ante o grande potentado cercado do esplendor da corte egípcia, mas invocou a
bênção do eterno sobre ele. Suas palavras a Faraó, “poucos e maus foram os
dias dos anos da minha vida”, contrastam marcadamente com suas palavras
proferidas no final de sua carreira: “o YAOHU UL que me sustentou desde que
eu nasci até este dia; o Anjo que me livrou de todo o mal . . .” (47:9;
48:15, 16). Entre as duas ocasiões, Jacó viu a mão de YAOHU UL a operar
mediante as circunstâncias e conseqüentemente a auto-avaliação de sua vida
mudou de forma radical.
José chega ao posto de primeiro-ministro:
Gn.41. Ao contar trinta anos de idade e depois de treze anos de disciplina
e preparação (37:2 e 41:46), YAOHU UL permitiu que José chegasse ao lugar
onde podia honrá-lo. O Eterno deu a Faraó sonhos tais que nem os magos,
nem os sábios versados na antiqüíssima sabedoria egípcia podiam
interpretar. Então o principal copeiro lembrou-se de que José havia
interpretado seu sonho na prisão. Faraó mandou chamara a José. É de notar
que José se negou a atribuir-se mérito algum na interpretação de sonhos;
pelo contrário, testificou abertamente acerca de YAOHU UL perante Faraó.
Apesar de José não ter visto ainda o cumprimento de seus próprios sonhos e
de haver passado longos e difíceis anos como escravo e preso, não havia
perdido sua confiança em YAOHU UL. Interpretou o sonho de Faraó como uma
predição de sete anos de boas colheitas seguidos de sete anos de fome.
Aconselhou também que se escolhesse uma pessoa prudente para fazer os
preparativos necessários a enfrentar a fome, mas não sugeriu que fosse ele
o escolhido; provavelmente não suspeitava que o designado seria ele.
De imediato Faraó nomeou a José como vizir
ou primeiro-ministro do Egito. Apoiava-o com a plena autoridade real
colocando em seu dedo seu próprio anel de selo como o qual todos os
decretos e documentos oficiais eram legalizados e entravam em vigor.
Ordenou que todos se ajoelhassem diante de José como se se tratasse do
próprio Faraó. Para que José tivesse posição social, Faraó concedeu-lhe um
nome egípcio e lhe deu por esposa a filha do sacerdote de On (Heliópolis),
o centro do culto ao Sol, cujo sacerdócio tinha grande importância
política. Foi assim que José se aparentou com a mais alta nobreza do
Egito.
José não se envaideceu de sua posição nem se
aproveitou pessoalmente de sua autoridade; antes, reconheceu que foi
levado para desempenhar um trabalho em beneficio de outros, trabalho que
ele empreendeu imediatamente. Pensava mais em sua responsabilidade do que
em sua dignidade. Primeiro percorreu toda a terra do Egito para
inspecionar seus recursos e organizar o trabalho. Depois cumpriram de
maneira sistemática as instruções prudentes que YAOHU UL lhe havia dado.
Os nomes que José deu a seus filhos
indicavam que YAOHU UL lhe havia mostrado seu favor. O nome Manassés (o
que faz esquecer) demonstra que José havia vencido a amargura. Era um
testemunho de que YAOHU UL o havia feito esquecer-se de todo o trabalho
dos longos anos de provação e de saudade de seu lar em Canaã. Foi, talvez,
a maior vitória de sua vida. Depois chamou a seu segundo filho “Efráim”
(fértil). YAOHU UL faz que frutifiquem os que sabem perdoar e esquecer.
Anos mais tarde Jacó declarou que José era como um ramo frutífero junto a
uma fonte (49:22). José podia frutificar porque tinha suas raízes em YAOHU
UL, mantendo-se mediante a comunhão com Ele.
Os críticos liberais têm duvidado do fato
que Faraó elevasse ao posto de primeiro-ministro do Egito um escravo
estrangeiro, sob condenação e sem prestígio algum. Mas o relato deixa
claro que Faraó e seus servos ficaram impressionados pelo fato de que o
YAOHU UL, em espírito, residia em José, de modo que a sabedoria do jovem
hebreu não era humana mas uma operação sobrenatural de YAOHU UL (41:38).
Supõe-se que a ascensão de José foi facilitada porque também nesse período
ocupava o trono do Egito uma dinastia de reis asiáticos, os hicsos ou
reis-pastores. Os hicsos invasores tomaram o trono do Egito em 1720 aEC. e
reinaram aproximadamente 140 anos. Eram semitas e às vezes nomeavam
semitas para ocupara postos importantes. Seria natural que um rei dos
conquistadores do Egito acolhesse os hebreus e os colocasse no melhor da
terra. Não há o que estranhar que não se encontre menção alguma de José
nos monumentos existentes no Egito, pois os egípcios odiavam aos hicsos.
Ao expulsá-los do Egito, os egípcios procuraram erradicar toda marca de
ocupação estrangeira de seu pais, a tal ponto que os arqueólogos tem tido
dificuldade para reconstruir os detalhes dos hicsos. Contudo, a
arqueologia confirma que muitos pormenores mencionados no relato acerca de
José concordam com os costumes daquele tempo. Por exemplo, encontram-se os
titulo de chefe dos copeiros e chefe dos padeiros (40:2) em
escritos egípcios. Outro dado confirmado é que se conheceram tempos de
fome no Egito. Um faraó, segundo um escrito da época ptolomaica (2700 aEC)
disse: “estou desolado porque o rio Nilo não transborda em um período de
sete anos, falta grão, os campos estão secos e o alimento escasseia.”
Desde a antiguidade era o Egito celeiro de Canaã em tempo de escassez. Na
Pedra Roseta há um escrito que indica que Faraó tinha o costume de por em
liberdade alguns presos no dia de seu aniversário. Tal como o fez no caso
do copeiro-mor (40:20). Outro dado é fornecido pelas figuras egípcias nos
monumentos antigos porque indicam que os homens não usavam barba e assim
explicam a razão pela qual José se barbeou antes de comparecer perante o
Faraó (41:14).A cena da investidura de José é nitidamente egípcia. Faraó
deu a José seu anel de selo, fê-lo vestir-se com roupa de linho finíssimo
e pôs um colar de ouro em seu pescoço (41:42), as três coisas mencionadas
nas inscrições egípcias que descrevem investiduras. Além disso, os nomes
Tzafnate-Paneach, Asenat e Poti Fera, são nomes egípcios.
José põe seus irmãos à prova: Gn.42.
Ao ver os dez homens da família de Jacó que chegaram ao Egito para comprar
alimento, José reconheceu de imediato seus irmãos, porem eles não o
reconheceram. Por fim cumpriram-se os sonhos de José. Por que os tratou
com severidade? Queria prová-los para ver se estava arrependidos do crime
cometido havia mais de vinte anos. Havia transferido sua inveja para
Benjamim? José sabia que uma reunião sem comunhão constituiria um
escárnio. Se ainda guardavam inveja e ressentimento não poderia ele
desfrutar de sua companhia, nem eles da companhia de José. Por outro lado,
há certos aspectos do trato de José com seus irmãos que demonstram que ele
estava animado de profunda solicitude por isso. Também os nomes que deu a
seus filhos atestam que não guardava ira nem desejo de vingança em seu
coração.
Os três primeiros dias na prisão fizera os
irmãos compreenderem a sorte a que havia m exposto José (42:21.22). o fato
de que José mandou prender a Simeão em vez de Rúben, oi primogênito, que
se opusera a maltratar José havia vinte anos, infundiu neles a sensação de
que a justiça divina os estava alcançando. Seu temor aumentou quando
encontraram o dinheiro nas bolsas. Agora chegaram à conclusão de que YAOHU
UL estava acertando contas com eles. A oferta de Rúben de entregar à morte
seus dois filhos em troca, pareceria indicar uma mudança de coração, mas
em realidade carecia de profundidade, pois Rúben sabia que Jacó não daria
morte a seus netos. Não obstante, mostrando uma mudança de atitude, os dez
irmãos não se ressentiram com a preferência que José revelava em relação a
Benjamim. A mudança de coração evidenciou-se, sem dúvida alguma, quando se
encontrou o copo de prata no saco de Benjamim. Todos os irmãos se
ofereceram como escravos e se negaram a partir quando José exigiu de novo
que somente Benjamim ficasse como escravo. Demonstraram que estavam mais
preocupados por Benjamim do que por si mesmos.
Como podemos notar, a história de José é
simplesmente impar, que possamos tirar alto proveito do exemplo de vida.
Introdução à História de José: José
é um dos mais atraentes personagens da Bíblia. O teólogo Ross observa que
era um “idealista prático”, que no início de sua vida teve sonhos que o
animaram e guiaram pelo resto de sua vida. Ele manifestou, talvez, o caráter
mais correto de todas as pessoas descritas no Tanach. Nota-se a importância
de José no fato de que a ele é dedicado quase tanto espaço no Livro de
Gênesis quanto a Abraão. José é importante porque foi o elo entre a vida
nômade dos hebreus em Canaã e sua vida sedentária no Egito.
YAOHU UL havia revelado a Abraão que sua descendência passaria quatro
séculos em terra alheia (Gn.15:13-16). A paciência de YAOHU UL esperaria até
que a maldade do amorreu chegasse ao ponto máximo antes de destruí-lo e
entregar Canaã aos hebreus. É evidente também a necessidade de que Israel
fosse para o Egito. A aliança matrimonial de Judah com uma Cananéia e sua
conduta vergonhosa descrita no capítulo 38 indica-nos o perigo que havia em
Canaã de que os hebreus se corrompessem por completo e perdessem seu caráter
essencial. No Egito os hebreus não seriam tentados a casar-se com mulheres
egípcias nem a se misturar com os egípcios, pois estes desprezavam os povos
pastores (Gn.46:34). Além do mais, tão logo os cananeus reconhecessem os
planos dos israelitas de estabelecerem-se permanentemente em Canaã e
assenhorear-se da terra, tê-los-iam exterminados. Tal coisa não sucederia em
Gósen. Ali, sob a proteção do poderoso Egito, os hebreus poderiam
multiplicar-se e desenvolver-se até chegar a ser uma nação numerosa.
YAOHU UL usou a José como instrumento para levar a cabo o plano de
transferir seu povo para o Egito. Em toda a vida de José destaca-se a
providência divina. A palavra providência deriva do latim – providere:
videre significa “ver” e pro “antes”. De modo que quer dizer “ver com
antecedência” ou “prever”. YAOHU UL prevê, e com isso também prepara os
passos necessários para realizar tudo o que Ele prevê. O dicionário de
Aulete define providência como “A suprema sabedoria atribuída a YAOHU UL com
que ele governa todas as coisas”, e mais adiante: “O próprio YAOHU UL,
considerado como supremo árbitro do universo”. O dicionário de Aurélio diz:
“A suprema sabedoria com que YAOHU UL conduz todas as coisas”. E por
extensão: “O próprio YAOHU UL”. Em nenhum outro relato da Bíblia brilha mais
a providência de YAOHU UL do que nesta história. Ele lança mão dos desígnios
distorcidos dos homens e os converte em meios para efetuar seus planos
(Gn.50:20).
A venda de José por seus irmãos:
Gn.37. O primeiro passo para situar José no Egito foi ser ele vendido como
escravo por seus irmãos invejosos. Seus irmãos odiavam-no por vários
motivos:
a . José comunicou a seu pai o mal
que se propalava a respeito de seus irmãos. Aos dezessete anos foi enviado a
seus para aprender a pastorear ovelhas. A irreverência e a baixa moralidade
deles escandalizaram-no. Os filhos mais velhos de Jacó haviam cedido a
certas práticas pagãs, fato que se vê na conduta de Judah relatada no
capítulo 38. Parece que entre os filhos de Jacó somente José manteve em alta
conta as elevadas normas da religião do Eterno. Se José tivesse participado
das conversações imundas e da conduta vulgar, eles o teriam aceitado como um
deles.
b . Jacó amava-o mais do que a seus
outros filhos. Pois José nasceu na velhice de Jacó e era o primogênito de
sua esposa predileta, Raquel. Expressou abertamente seu favoritismo
presenteando a José com uma túnica de cores que lhe chegava até aos
calcanhares e mangas que iam até às palmas das mãos. Este tipo de vestimenta
era usado pelos governantes, sacerdotes e outras pessoas de distinção que
não tinham de trabalhar manualmente. A túnica dos operários e pastores não
tinha mangas e mal chegava até ao joelho. Os irmãos teriam perguntado entre
si: “Não se dará o caso de que nosso pai entregue a primogenitura a José,
fazendo-o nosso chefe no culto e na guerra?” Jacó provocou, pois, a inveja
de seus filhos mais velhos.
c . Ingenuamente José contou os
sonhos que profetizavam que o restante de sua família se inclinaria diante
dele da mesma forma que as pessoas prestavam homenagem aos reis naquele
tempo. Em geral, não convém contar tais revelações até que se veja de que
forma YAOHU UL as executará ou até que YAOHU UL mostre que devem ser
contadas. Qual foi o propósito de YAOHU UL ao dar-lhe esses sonhos? Os
sonhos deram a José a convicção de que YAOHU UL tinha algum alto propósito
para a sua vida e mais tarde esses sonhos o sustentariam em seus longos anos
de prova.
Ao
enviar José a fim de obter informação acerca do bem-estar de seus irmãos,
Jacó deu a estes a oportunidade que esperavam. Percebe-se, porém, que a mão
de YAOHU UL o guiava mesmo no meio das más paixões de seus irmãos. Haviam-se
transferido de Siquém até Dotã, situada dezoito quilômetros ao norte. Dotã é
uma palavra que significa “poços gêmeos” e existe até hoje em Dotã excelente
abastecimento de água. A importância da transferência deles reside em que
Dotã estava na rota das caravanas que se dirigiam ao Egito. Rúben se
interpôs com a intenção de salvar a José dos planos assassinos de seus
irmãos. Como filho mais velho era responsável pela vida de José e parece
haver tido maior consideração por seu pai do que os demais. Não obstante,
por contemporizar com seus irmãos, Rúben perdeu a oportunidade de salvar a
José. Os ismaelitas chegaram no momento oportuno. Desta forma YAOHU UL
operou usando homens maus para levar José ao Egito.
A
forma pela qual os irmãos atuaram mostra como a inveja e o ódio podem
endurecer a consciência humana. Passaram por alto a angustia e os rogos do
jovem (42:21), sentaram-se tranqüilamente para comer pão depois de lançar
José na cisterna. Depois de vendê-lo, felicitavam a si mesmos, sem dúvida,
por sua misericórdia e bom tino para negócios. Mais tarde enganaram
cruelmente a seu velho pai. Ao apresentar a túnica manchada de sangue,
disseram-lhe insensivelmente: “Conhece agora se esta será ou não a túnica de
teu filho”, como se José não fosse irmão deles. O fato de que as Escrituras
relatem com franqueza os detalhes feios dos fundadores das tribos de Israel
é evidência de sua autenticidade e inspiração. As lendas de outros povos
sempre atribuem a seus fundadores características heróicas, porém não
reconhecem falhas neles.
A
angústia inconsolável do velho pai não está à altura de um homem que havia
lutado com YAOHU UL e havia prevalecido. Embora não seja errado expressar o
pesar. Parece que Jacó se esqueceu dos sonhos de José e não buscou o consolo
divino. Pelo contrário, Jacó sentiu a perda do único filho que havia prezado
o espiritual e que o havia consolado com sua presença e amor após a trágica
morte de sua querida esposa Raquel.
José na casa de Potifar:
Gn.39.1-20. Os midianitas não venderam José a uma pessoa desconhecida que
vivia em um lugar obscuro e distante da civilização. Ao invés disso,
levaram-no à própria capital do Egito e o venderam a Potifar, capitão da
guarda real, pessoa de influência na corte de Faraó. Assim José foi colocado
onde se lhe ofereciam as melhores oportunidades de conhecer os costumes dos
egípcios, de ser iniciado na arte de governar e, sobretudo, de ser
introduzido na presença de Faraó.
A
sorte que um escravo corria era muito dura, pois uma vez feito escravo,
permanecia escravo para sempre. À parte disto, José teria sofrido
dolorosamente a saudade da casa e a falta do carinho de seu pai. Não
obstante, uma vez levado, não deu sinais de protesto. Consagrou-se de boa
vontade a cumprir seus deveres de escravo. Destacou-se como jovem
consciencioso, industrioso e digno de confiança. Quatro vezes se diz no
capitulo 39: “o Eterno estava com José”. O teólogo F.B.Meyer observa: “O
sentido da presença e proteção do YAOHU UL de seu pai penetrava em sua alma
e a tranqüilizava, e o guarda em perfeita paz”. Reconhecendo que YAOHU UL
fazia José prosperar, Potifar fê-lo administrador de sua casa.
A
integridade que José manteve diante da tentação apresentada pela esposa de
Potifar contrasta notavelmente com a conduta de Judah registrada no capítulo
anterior, Judah era livre e de sua própria vontade incorreu no pecado em um
lugar que ele pensava ser um santuário cananeu. Por sua parte, escravo,
longe do lar, José tinha todo o pretexto para ceder à tentação, porém lançou
mão de duas armas: a divina e a humana. “Como pois faria eu este tamanho
mal, e pecaria contra YAOHU UL?” Considerou esse ato de imoralidade como
pecado contra seu senhor, contra a senhora, contra seu próprio corpo e
sobretudo, contra YAOHU UL. Também usou a arma humana ao afastar-se dela e
por fim fugiu quando a tentação se tornou forte. Ao ser caluniado, não
reagiu acusando a mulher, nem ainda defendendo-se a si próprio. Parece que
Potifar havia duvidado da verdade da acusação e se irou principalmente
porque havia perdido um escravo tão bom. Em vez de matá-lo, que seria o
castigo correspondente ao delito, Potifar impôs a José a pena mais leve
possível em tais circunstâncias.
José na prisão: Gn.39:2 – 40:23.
Depois de haver trabalhado com tanto afinco, sem queixas, e de haver chegado
a um lugar de prestigio incomparável, José foi objeto de calunias e caiu ao
ponto mais baixo e com menos esperança que a de um escravo. Mas José guardou
silencio confiando sua causa às mãos de YAOHU UL e trabalhando serena e
diligentemente. Por que YAOHU UL permitiu que José fosse encarcerado? Ali
aprenderia muito dos altos personagens que compartilhavam a prisão com ele.
Também o pesar e a privações, o jugo levado na juventude, tudo contribuiu
para formar um caráter firme, paciente e maduro a fim de que José prestasse
grandes serviços a YAOHU UL e aos homens quando chegasse o momento oportuno.
Por último, sua estada no cárcere e sua faculdade de interpretar sonhos
puseram-no em seu devido tempo em contato com Faraó.
Como deve ter brilhado o caráter de José no meio dos presos ressentidos e
desanimados! Ele tinha consciência de que YAOHU UL o acompanhava e este era
o segredo de seu êxito. O chefe da prisão notou sua industriosidade e sua
responsabilidade e o encarregou do cuidado de toda a prisão e dos presos. No
caso dos dois funcionários do rei que estavam presos, vemos que José não
permitiu que sua triste situação pessoal despojasse seu coração de
solicitude por outro ou o cegasse para as necessidades deles. Por sua
comunhão com um YAOHU UL amoroso, estava cheio de compaixão. Interrogou o
copeiro e o padeiro, que estavam perturbados, e então lhes afirmou que YAOHU
UL tinha a interpretação de seus sonhos. Embora as interpretações
divinamente dadas a José se cumprissem ao pé da letra, viu frustrada a sua
esperanças de que o copeiro intercedesse por ele perante Faraó. A demora é,
com freqüência, parte da disciplina divina. Por isso YAOHU UL demorou também
a libertação de José par proporcionar-lhe um cumprimento maior dos sonhos
que lhe dera muitos anos antes.
Jacó envia mensageiros a Esaú :[/B] Jacó
assustou-se ao ouvir que seu irmão ofendido vinha ao seu encontro com 400
homens (supõe-se que vinham armados). Não podia fugir, pois seus filhos e
esposas o acompanhavam. Tomou precauções para que em caso de ataque não
fossem destruídos. Enviou mensagens amistosas e depois andou astutamente
presentes para apaziguar a ira de Esaú, porém seu irmão não lhe respondeu
nem uma palavra sequer. Ao que parece, Jacó estava entre “a faca e a
parede”. Orou de uma boa forma, lançando mão das promessas de YAOHU UL,
reconhecendo sua própria indignidade e a fidelidade divina; mas não
reconheceu a causa fundamental de suas dificuldades. Quis ver-se livre de
Esaú, porém seu verdadeiro inimigo era ele próprio, Jacó. Foi faço que havia
enganado e levantado obstáculos em seu próprio caminho. YAOHU UL quis
livrá-lo de seu espírito egoísta e carnal antes de permitir-lhe entrar na
terra prometida.
Na luta com o anjo junto ao ribeiro de Jaboque,
aprecia-se em conjunto a vida de Jacó até esta altura. Sempre confiou em
suas próprias forças, em sua astúcia e nas armas carnais e saíra vencedor.
Agora de nada lhe serviam. Bastou um toque do anjo para que Jacó ficasse
coxo e incapaz de continuar lutando. Lançou-se nos braços de YAOHU UL, não
pedindo livramento de seu irmão nem de nenhuma outra coisa material, mas
pedindo a bênção de YAOHU UL. Confessou que foi um “Jacó”, que foi um
“suplantador”. Sua vitória foi à submissão a YAOHU UL.
O Anjo do Eterno mudou-lhe o nome e isto
indica mudança de caráter (Gn.17:5).Agora é “o que luta com YAOHU UL” e o
significado de seu novo nome dá a norma da maneira como venceu. Daqui para
frente não era o enganador lutando astutamente com os homens, mas o homem
que obtinha vitórias com YAOHU UL por meio da fé. Seu novo nome foi
transmitido a seus descendentes, os quis foram chamados “israelitas” e
“Israel” a nação da aliança. Sua coxeadura simbolizava a derrota de seu
próprio eu, seu “espírito quebrantado” e um “coração quebrantado e contrito”
(Sl.51:17).
Jacó estava agora preparado para entrar em
Canaã. Possivelmente YAOHU UL tenha usado a manqueira de Jacó para tocar o
coração de seu irmão Esaú de modo que este ao vê-lo manquitolando mudasse de
atitude (era tradição poupar pessoas com defeitos físicos); parece que assim
foi,porque toda a sua ira e ressentimento desapareceram.Os dois abraçaram-se
e choraram. Ilustra-se a verdade de Pv.16:7 “Sendo os caminhos do homem
agradáveis ao Eterno, até a seus inimigos faz que tenha paz com ele.”
Não obstante, Jacó prudentemente rejeitou a escolta oferecida por Esaú e foi
por outro lado. Embora os dois irmãos se tenham reconciliado, eram muito
diferentes em espírito e Carter; um era homem de mundo e o outro um servo de
YAOHU UL. Convinha que estivessem separados. Jacó e sua família na terra prometida: Gn.33:18- 36:43. Jacó havia
prometido a YAOHU UL que voltaria a Betel (Gn.28:21)m porém foi somente até
Siquém. Ali comprou uma propriedade bem perto da cidade cananéia e se
radicou comodamente durante quase dez anos. Também edificou um altar, talvez
para dar testemunho de que YAOHU UL havia sido fiel ao permitir-lhe
regressar a Canaã e para expressar sua fé na promessa de possuir a terra da
Palestina. Contudo, edificar um altar não compensava o descumprimento de não
regressar a Betel.
Jacó pagou um elevado preço por não cumprir o
voto, sua filha Dinah foi violentada e pela influência cananéia seus filhos
Simeão e Levi converteram-se em seres cruéis, traidores e vingativos. É de
estranhar que Jacó permitisse a união de seus filhos com as filhas do
cananeus, porque eles deviam permanecer separados, visto que era o povo
escolhido de YAOHU UL. A pouca autoridade que ele exercia em sua casa
naquele tempo fica demonstrada pela forma de falar e atuar. O ultraje
perpetuado contra os indefesos habitantes da cidade encheu o coração de Jacó
com o temor de uma vingança coletiva dos cananeus, e isto o despertou para
ouvir a voz de YAOHU UL que lhe ordenou a volta a Betel.
O patriarca respondeu imediatamente à ordem
divina exortando sua família a remover todo indício do culto idólatra. Os
pendentes (colares) às vezes indicavam seu determinado estado social ou
elevado posto. Alguns tinham a figura de alguma divindade e os consideravam
amuletos. Jacó não podia obedecer a YAOHU UL e adora-lo de todo o coração
enquanto estes símbolos pagãos não fossem sepultados. Depois voltou a Betel.
O Eterno interveio semeando terror nos corações do cananeus e protegendo
assim a família de Jacó da vingança dos pagãos. Em Betel Jacó edificou um
altar efetuando novamente suas primeiras obras. YAOHU UL manifestou-se a ele
e lhe confirmou seu novo nome e as promessas do concerto. Depois ele se foi
para Hebrom, lar de seu pai Itzak. Ali teve comunhão com YAOHU UL e algumas
experiências tristes que o amadureceram espiritualmente, fazendo-o assim
digno de seu nome “Israel”. Raquel, sua amada esposa, morreu no caminho para
Hebrom. Ruben, seu filho mais velho, trouxe a vergonha ao pai cometendo
incesto; por isso perdeu sua preeminência entre as tribos hebréias e esta
passou para Judah (Gn.49:3-5). Itzak, seu velho pai, morreu também depois de
haver vivido alguns anos com Jacó. Finalmente, José foi vendido enquanto
Jacó residia em Hebrom.
Jacó e Esaú são visto junto pela ultima vez no
enterro de seu pai Itzak. Esaú e seus descendentes ocuparam a aterra de Seir
(vale entre o mar Morto, o golfo de Acaba e a região montanhosa situada em
ambos os lados do vale). Assim se formou a nação de Edom. Depois do capitulo
36 já são se fala de Esaú. Ao longo da h9istória da nação de Israel, os
edomitas foram seus perpétuos inimigos (Ob.10 – 14) e até foi edomita (idumeu)
o rei Herodes.
A importância de Jacó:
As lições que tiramos da vida de são as seguintes:
a –
Exemplifica magnificamente a graça de YAOHU UL. A eleição de Jacó para
continuar a linhagem messiânica e o concerto abrâmico não dependia do mérito
humano mas da vontade de YAOHU UL. Era filho mais novo e tinha grave falha
de caráter. YAOHU UL operou na vida de Jacó revelando-se a ele, guiando-o na
casa de Labão (Gn.31:13), protegendo-o de Labão,e por fim transformando-o em
Peniel. Tudo foi feito por graça.
b – Mostra
que YAOHU UL usa os homens, tais quais ele são, para cumprir seus
propósitos. Parece que YAOHU UL tem de fazer o melhor possível com o
material que usa. Lançou mão de Jacó com todas as imperfeições deste, e fez
dele um de seus grandes servos.
c – A luta
com o anjo em Peniel ensina-nos que as vitórias espirituais não são ganhas
por meios duvidosos tais como a força e a astúcia, mas aceitando a própria
impotência e lançando-se nas mãos de YAOHU UL.
d – Ilustra
a lei inexorável da semeadura e colheita, Jacó enganou a seu velho e cego
pai, porem ele foi enganado Labão e, depois, cruelmente, por seus filhos,
quando fizeram José desaparecer.
e – Nas
famílias de Abraão e Itzak somente uma pessoa foi herdeira das promessas em
cada família. Mas não houve eliminação de pessoas na de Jacó. Todos os
filhos eram herdeiros da promessa e vieram a ser pais das doze tribos.
O sonho de Jacó – No
caminho para a casa de Labão, YAOHU UL deu a Jacó um sonho maravilhoso com o
fim de animá-lo e firmar sua fé para que não vacilasse nos longos e duros
anos vindouros. Na visão, a escada simbolizava que existia uma comunicação
entre o céu e a terra, Jacó tinha o céu aberto. YAOHU UL ouviria suas
orações e o ajudaria. Os anjos subiam e desciam pela escada como mensageiros
e ministros do governo de YAOHU UL sobre a terra.
O Eterno confirmou a Jacó as
promessas da aliança que seu pai havia feito ao abençoa-lo. Prometeu que o
acompanharia, guardaria e traria de volta à terra prometida. Estaria com ele
de forma ativa e contínua. Isto não significava que o Eterno aprovaria tudo
quanto Jacó fizesse, mas que o acompanharia para levar a cabo completamente
seu elevado propósito nele. A revelação divina em Betel era por pura graça.
Jacó falhou muitas vezes, não obstante, havia algo nele que respondia a
YAOHU UL e algo que YAOHU UL podia mudar.
Ao despertar, Jacó teve medo
pensando que havia chegado por casualidade à habitação terrenal de YAOHU UL
e à porta do céu. Depois seu temor se converteu em surpresa, pois
reconheceu, de forma reverente, a presença de YAOHU UL. Ungiu uma pedra como
um ato de culto a YAOHU UL e também para deixar um monumento recordatório do
local que a visão santificou. Parece que Jacó procurou negociar com o Eterno
(28:20,21), mas é pouco provável que fizesse tal coisa,pois foi movido pelo
temor, reverencia e gratidão. Além do mais, tudo o que foi mencionado por
Jacó em 28:20,21, YAOHU UL já lhe havia prometido em termos gerais (28:15).
Admirado, Jacó respondeu às promessas divinas dizendo que se YAOHU UL ia
fazer tudo isto por ele, não lhe restava nada mais senão adora-lo.
Jacó na casa de Labão –
Gn.29-30. Os vinte anos que Jacó passou na casa de Labão foram difíceis.
Labão empregou contra Jacó a velha arma do engano que o próprio Jacó
anteriormente havia utilizado. YAOHU UL usou as experiências destes anos
como uma escola para disciplinar e preparar Jacó a fim de que este fosse
herdeiro das promessas da aliança.
Na providência de YAOHU UL, o
primeiro membro da família com que Jacó se encontrou foi a formosa Taque.
Parece que a amou desde o primeiro momento de seu encontro. Dado que Jacó
não tinha dinheiro para compra-la como noiva. Pagaria seu preço com o
trabalho. O grande valor que Jacó atribuía a Raquel, o trabalho de sete anos
que “foram aos seus olhos como poucos dias” e a intensidade de seu amor
jorram luz sobre o caráter do patriarca. Pelo fato de ser enganado por
Labão, Jacó certamente compreendeu como Esaú se sentiu ao reconhecer que
havia perdido a bênção que considerava caber-lhe; Jacó não protestou muito,
provavelmente porque viu nisso a retribuição de YAOHU UL.Em vez de receber a
amada Raquel, havia casado com leia que ra menos atraente. Depois de uma
semana também Raquel lhe foi dada por esposa, mas teve de trabalhar mias
outros sete anos, sem receber salário.
O casamento com as duas irmãs
trouxe consigo dificuldades, ciúmes e conflitos. Tais matrimônios não foram
proibidos até a promulgação da lei de Levítico 18:18. Da união polígama
saíramos os pais das doze tribos de Israel, YAOHU UL demonstrou seu
desagrado pelo tato que Jacó deu a Léia, fazendo Raquel estéril e Léia
fecunda. À desprezada esposa devem sua origem seis das tribos e entre elas a
de Judá. O que a Jacó parecia um ardil cruel, era realmente um grande meio
de bênção.
A rivalidade entre Léia e
Raquel explica os nomes de seus filhos, já que estes foram dados de acordo
com as circunstancias ou sentimentos das mães:
Ruben significa eis um filho
Simeão “ ouviu
Levi “ unido
Judá “ louvor
Dã “ juiz ou julgou
Naftali “ minha luta
Gade “ afortunado
Aser “ bem-aventurança ou feliz
Issacar “ galardão
Zebulom “ morada
José “ acréscimo
Benjamim “ filho da mão direita
Os últimos dois filhos foram
de Raquel; Benjamim nasceu anos mais tarde na terra de Canaã (35:16-20).
Durante os quatorze anos que
Jacó serviu a Labão para conseguir a Raquel, YAOHU UL abençoou a Labão por
causa de seu genro. Jacó quis voltar a Canaã, porém seu sogro instou com ele
para que ficasse, prometendo pagar-lhe como ele quisesse. Impressionou-o o
fato de que o Eterno estava com Jacó, porém ele próprio não buscou a YAOHU
UL, antes pensou em beneficiar-se da relação entre seu genro e o Eterno.
Jacó pediu para si o gado anormal (ovelhas negras e cabras malhadas), pois a
cor normal das ovelhas era branca e a das cabras, preta. Labão acreditou
estar fazendo um ótimo negócio e agiu com astúcia e prontidão mandando para
longe os animais que proporcionariam a Jacó um aumento de salário. Nos anos
seguintes mudou repetidamente a forma de pagamento, mas com a ajuda do
Eterno Jacó ia tomando o pagamento de seu sogro. Jacó atribuiu a um sonho
divino a ciência de como fecundar o gado para produzir mais com o qual Labão
lhe havia atribuído, porém é melhor considerar que YAOHU UL operou um
milagre para frustrar a esperteza de Labão e abençoar a Jacó. Assim foi que
Jacó prosperou grandemente a expensas de seu sogro e este minguou.
Jacó volta à terra
prometida: - Gn.31.1- 32:3. Depois de passar vinte anos na casa de
Labão, Jacó viu que era tempo de sair de Padã-Arã. Como Jacó prosperava,
Labão e seus filhos começaram a sentir inveja. YAOHU UL interveio e ordenou
a Jacó que voltasse à terra prometida. Raquel e Léia deram seu consentimento
à decisão de Jacó. Lembraram-se de que Labão havia exigido quatorze anos de
trabalho de trabalho de Jacó como preço de suas filhas e não havia dado a
elas o dote correspondente às noivas; elas já não estimavam a Labão. Antes
de partir, Raquel furtou algumas pequenas imagens familiares (terafim)
pertencentes a seu pai mediante as quis esperava reclamar sua herança,
segundo o costume da época. Parece que Raquel não respeitava muito os
terafins pois sentou-se sobre eles havendo-os escondido debaixo da albarda
de seu camelo (31:43). Jacó se esquivou clandestinamente, por temor.
Preocupado principalmente com o furto dos ídolos, Labão o perseguiu mas o
Eterno advertiu-o de que não fizesse mal algum ao seu genro.
O pacto que Labão e Jacó
fizeram demonstra que não confiavam um no outro. Levantaram uma pedra como
sinal que servisse de limite entre os dois, fizeram um montão que serviria
de testemunho do pacto e invocaram a YAOHU UL para que atuasse como
sentinela vigiando por um e por outro enquanto estivessem separados.
Jacó não estava em condições
de voltar à terra prometida e receber as promessas do pacto de seu pai Itzak;
apesar disso, YAOHU UL o abençoou no caminho. Animou-o com uma visão de
anjos protetores. Jacó chamou ao lugar “Maanaim”, palavra que significa
“dois acampamentos”; um era seu próprio e indefeso acampamento e o outro do
eterno, que rodeava ao de Jacó com sua presença e poder. O lugar de Maanaim
ficou compreendido depois no limite entre Manassés e Gade e foi uma cidade
de refúgio (Js.21:38).
Itzak passou a maior parte de sua vida no
sul da Palestina, nas cercanias de Gerar, Reobote e Bersheva. Era homem dado
à meditação, conciliador, tranqüilo e até passivo. Sua vida parece ser
”apenas um eco da de seu pai”. Cometeu seus mesmos erros, porém buscou a
YAOHU UL. Com a exceção do capitulo 26, Itzak sempre ocupa lugar secundário
no relato do Gênesis. Não obstante, foi homem de fé e obediência. Cumpriu o
propósito de YAOHU UL para sua vida sendo guardião de suas promessas e
transmitindo-as a Jacó. Foi “um elo necessário” para cumprir o pacto feito
com Abraão.
Nascimento de Jacó e Esaú, e a
rivalidade entre ambos: (Gn.25:19-34). Rebeca era estéril. Ao
comparar-se o versículo 20 com o 26, vê-se que transcorreram 20 anos entre o
casamento de Itzak com Rebeca e o nascimento de Esaú e Jacó. À semelhança do
nascimento de José, de Sansão e de Samuel, o dos gêmeos ocorreu depois de um
longo período de tristeza e oração. Foi dada a Rebeca a profecia de que os
dois filhos seriam fundadores de duas nações antagônicas: a nação que
descenderia do mais velho serviria à nação do mais novo, ou dela dependeria.
Neste caso YAOHU UL trocou o costume daquele tempo que favorecia o filho
mais velho.
O termo “Esaú” significa cabeludo e é o
mesmo patriarca que depois de chamado “Edom”, ou seja, vermelho, por
haver comido um guisado avermelhado (25:30). Esaú foi o antepassado dos
edomitas que ocuparam a região ao oriente de Judá. A palavra “Jacó”
significa o que segura pelo calcanhar, porém mais tarde Esaú o
interpretou como o suplantador (27:36). Esaú converteu-se em hábil caçador
seguindo uma vocação aloucada em emoções e aventuras. Era impulsivo e até
generoso, mas sem domínio-próprio e incapaz de apreciar os valores
espirituais. É uma amostra do caráter do homem natural. Em notável contraste
com Esaú, Jacó era homem pacifico que amava a vida do lar, eficiente no
manejo dos assuntos da família, porém interesseiro, ardiloso e astuto no
trato com os demais. Apesar disto, preocupava-o espiritual. A diferença
entre os dois acentuava-se pelo fato de os pais mostrarem parcialidade, cada
qual por um dos filhos e não aturem como “uma só carne”. O casamento
planejado no céu não foi um êxito absoluto na terra porque os esposos
falharam.
A venda da primogenitura por um prato de
lentilhas revela que Esaú não atribuía valor algum a ela, porque não tinha
ideal fora da satisfação física imediata. Posteriormente desprezou o
conceito de separação que seus pais tinham e se casou com uma pagã hetéia
(26:34). É denominado “profano”, porque significa carente de
espiritualidade. Por outro lado, Jacó anelava o espiritual, mas se enganou
ao supor que era preciso algum ardil humano para colaborar com YAOHU UL no
cumprimento de sua promessa. Os direitos e privilégios do primogênito, em
geral abrangiam uma porção dupla da herança e da chefia da família durante a
guerra e no culto. Neste caso incluía velar pelo pacto e perpetuar a linha
messiânica.
Tabuas encontradas em Nuzu indicam que
naquele tempo a primogenitura era transferível, e em um contrato dessa
natureza um irmão pagou três ovelhas para receber uma parte da herança.
Itzak abençoado em Gerar: (Gn.26).
Este capítulo registra três tentações que Itzak teve de enfrentar: abandonar
a terra prometida em um período de fome, simular que Rebeca não era sua
esposa em um momento de perigo, e reagir violentamente à provocação dos
filisteus. Falhou em uma das provas (segunda), porém saiu vitorioso nas
outras duas. Por que YAOHU UL permitiu que ele fosse tentado da mesma
maneira em que o fora Abraão? Quis dar-lhe a oportunidade de demonstrar se
dependia da fé que seu pai possuía ou estava disposto a confiar ele mesmo,
implicitamente, em YAOHU UL. Tinha de aprender as lições de fé e
consagração. Cada nova geração tem de aprender por experiência própria o que
YAOHU UL pode fazer por ela.
O mesmo temor de uma fome terrível em
Canaã, que apanhou a Abraão de surpresa na geração anterior, por pouco não
afligiu a Itzak e o tentou a seguir o exemplo de seu pai. Mas o Eterno
apareceu a Itzak e advertiu-o de que não se mudasse para o Egito. As
promessas que lhe fez era simplesmente uma repetição das já feitas a Abraão
(26:2-5). Rejeitaria Itzak a perspectiva de beneficiar-se da abundancia do
Egito para alcançar as bênçãos invisíveis do futuro distante? Estaria
disposto a perder as riquezas que seu pai havia acumulado? Atribuiria valor
supremo ao espiritual?
Itzak demonstrou que tinha a mesma índole
de fé que Abraão, morando como estrangeiro na terra prometida. Sem dúvida
alguma, perdeu muitas riquezas, mas YAOHU UL empregou estas perdas pra
ensinar-lhe lições espirituais. Depois da prova, o Eterno o enriqueceu com
uma colheita extraordinária e o abençoou (26:12,13). Como Salomão, Itzak
podia dizer: A benção do Eterno é que enriquece. (Pr.10:22).
Na segunda prova, Itzak cometeu o mesmo
pecado em que seu pai havia caído, ao fingir que Rebeca era sua irmã.
Abimeleque descobriu-o brincando dom sua esposa e esse descuido foi à
evidência que YAOHU UL usou para proteger Rebeca. O Abimeleque deste relato
não era o Abimeleque da época de Abraão, pois parece que este nome era um
título dinástico dos filisteus dessa região.
Os filisteus eram um povo comerciante do
mar Mediterrâneo; a Palestina derivou deles o seu nome. Os filisteus da
região de Gerar são provavelmente um dos primeiros habitantes que se
estabeleceram em Canaã e não eram tão belicosos quanto os filisteus que
viveram ali posteriormente.
A paciência de Itzak foi grandemente
recompensada por YAOHU UL. Teve a paz que desejava, não no estreito vale
onde encontrou o primeiro poço, mas em um vale amplo e extenso onde havia
muito território para ocupar. YAOHU UL apareceu-lhe, confirmando-lhe o
pacto. Itzak enriqueceu sua vida espiritual edificando um altar e invocando
o nome do Eterno. Seus velhos inimigos procedentes de Gerar viram que o
Eterno o estava abençoando. Chegaram procurando fazer aliança com ele e
deram um extraordinário testemunho deste pacificador (26:28). O relato nos
mostra, pois, que YAOHU UL permite que seus filhos sofram perdas para
dar-lhes algo melhor e para que se destaque seu caráter no caráter deles.
Jacó suplanta Esaú: Gn.27:1-40. O
complô de Itzak para entregar a benção a Esaú e a contra-artimanha de Rebeca
e Jacó põem em relevo a carnalidade da família toda. Cegado pelos impulsos
carnais e pela parcialidade, Itzak estava decidido a dar a Esaú o que ele
sabia não pertencer ao filho mais velho, segundo a profecia (25:23). Esaú,
por sua vez, estava disposto a receber o que havia vendido por um prato de
lentilhas. Rebeca e Jacó não estavam dispostos a deixar a situação nas mãos
de YAOHU UL, nem a confiar que Ele fosse capaz de cumprir a promessa, mas
quiseram contribuir com seus métodos carnais para a solução do problema.
Como resultado, todos sofreram. Ao compreender que YAOHU UL havia
prevalecido sobre seus planos, Itzak se estremeceu. Esaú desiludiu-se e se
amargurou contra Jacó. Devido às ameaças formuladas por Esaú, Jacó teve de
imediatamente abandonara o lar que ele tanto amava e dirigir-se a uma terra
estanha. Aqui sofreu muito sob a mão corretora do Éter. Rebeca, por sua vez,
teve de despedir-se do filho amado para não mais vê-lo; morreu antes que ele
voltasse.
É interessante analisar as três bênçãos
que Itzak pronunciou:
a. A benção transmitida a Jacó
(27:27-29), revela que Itzak pensava na parte material que Esaú desejava,
pois não mencionou as promessas mais importantes que YAOHU UL havia feito a
Abraão. Pediu somente a riqueza que nasce dos campos, o senhorio sobre seus
irmãos e sobre os cananeus.
b. A benção dada a Esaú (27:39)
referia-se principalmente aos descendentes deste: os emitas. Estes
habitariam onde era difícil cultivar a terra, fora da Palestina fértil.
Transformariam suas relhas de arado em espadas para viver da rapina como
bandoleiros. Se se submetessem Israel seriam libertados dessa situação.
Historicamente se cumpriu, pois Israel dominou a Edom desde a monarquia em
diante (Nm.24:18; II Sm.8:13,14; I Rs,11?:15,16) e Edom se livrou de Israel
pouco a pouco (II Rs.8:20-22; Ez.35:3).
c. A bênção que Itzak transmitiu a
Jacó quando este estava para dirigir-se a Padã-Arã (28:3,4) foi a verdadeira
bênção de Abraão porque incluiu tanto a terra como a descendência. Na visão
de Betel, YAOHU UL mesmo acrescentou a promessa messiânica (28:14). Desde
esse tempo Jacó foi o herdeiro da Aliança.
Jacó vai a Mesopotâmia: Gn.27:41 –
28:9. Motivada em parte pelo medo do que pudesse Esaú fazer a Jacó se este
permanecesse em casa e em parte pelo interesse de que Jacó não se casasse
com uma cananéia, Rebeca animou Itzak a enviar Jacó à casa de Labão em
Padã-Arã. Quando Jacó deixou a casa, Itzak animou-o comunicando-lhe a bênção
da aliança e aconselhado-o a buscar uma esposa que fosse digna de
compartilhar as bênçãos divinas.
Atentando para todo o enredo, tiramos uma
bela lição, não desvirtuarmos em hipótese alguma aquilo que escrito está,
devemos apenas fazer e viver nos caminhos que o Eterno já delineou.
Sarah é a única mulher da Tanach de quem
se menciona a idade que tinha ao morrer. Por que se dedica tanto espaço a
seu falecimento e sepultura? Tinha a mesma fé que Abraão e é a mãe do povo
eleito, por isso merece lugar de importância nas Escrituras.
O principal significado deste capítulo
reside no fato de que ao comprar Abraão a sepultura para Sarah demonstrou
que acreditava que seus descendentes herdariam Canaã. Não enviaria o corpo
ao sepulcro familiar na Mesopotâmia, pois nesse caso seu túmulo não
estaria na residência permanente dos descendentes.
A primeira propriedade que os patriarcas
adquiriram em Canaã foi um cemitério. Ali foram sepultados Abraão, Itzak,
Rebeca e Lia. Jacó, estando no Egito, expressou o desejo de ser sepultado
em Hebron (49:29- 32); seu desejo foi acatado e seus filhos realizaram uma
peregrinação especial aquele lugar. Por esta causa Macpela veio a ser o
centro da terra prometida; o símbolo da posse da terra pelo povo
escolhido.
Todos os pormenores do negócio da compra
do lote de Macpela corresponde exatamente às leis já conhecidas dos heteus;
mencionam-se as árvores, pesa-se a prata segundo as medidas da época e as
testemunhas anunciam a compra na porta da cidade. O costume heteu era
enterrar os membros da família em uma cova ou em perfurações feitas na
rocha. Atualmente se encontra uma mesquita muçulmana no local que
tradicionalmente se atribui à cova de Macpela.
Abraão procura esposa para Itzak
Chegada à hora em que Itzak devia
casar-se, ocorreu na vida de Abraão outra oportunidade para exercitar sua
fé. Segundo os costumes daquele tempo, cabia a Abraão fazer os arranjos
para o casamento de seu filho.
Era muito importante que Itzak, como
herdeiro da promessa, se casasse com uma mulher que valorizasse o pacto de
YAOHU UL. Abraão queria que a futura esposa de Itzak fosse de sua
parentela e não uma das cananéias pagãs. Abraão não enviou Itzak à
Mesopotâmia provavelmente porque não quis que seu filho fosse tentado a
ficar ali e abandonar a terra prometida. Portanto, enviou para lá seu
criado mais antigo e fiel, que provavelmente era Eliêzer (15:2). Nas
palavras de Abraão diz a seu servo, nota-se a confiança implícita do
patriarca em YAOHU UL: “Ele enviará o Seu anjo (Yaohushua) diante da tua
face, para que tomes mulher de lá para meu filho” (24:7). A história é tão
importante, que no livro de Gênesis ocupa o capitulo mais longo.
Podemos tirar algumas lições praticas do
capitulo 24:
- É responsabilidade dos pais procurar
que seus filhos se casem no círculo da mesma profissão de fé e de acordo
com a vontade do Eterno.
- A oração deve ocupar um lugar
importante ao cominar um matrimônio. Há amplos indícios de que Abraão e
Itzak oraram ao Eterno, pedindo a direção e vida longa.
A prece do mordomo pedindo direção é
muito instrutiva. Propôs um sinal que em si mesmo demonstraria que a jovem
era uma pessoa digna. Rebeca era, em realidade, melhor do que ele havia
pedido. Não era somente hospitaleira e bondosa, mas extraordinariamente
bela e pura. Além disso, era uma mulher de caráter, que não vacilou quanto
a fazer a vontade de YAOHU UL (24:58). Creu e de boa vontade se ofereceu a
ir para um país distante a fim de casar-se com um homem ao qual nunca
tinha visto. Quando Rebeca divisou o que seria seu futuro lar, Itzak
encontrava-se no campo meditando, talvez orando para que YAOHU UL desse
êxito a seu servo na missão encomendada. Ela aproximou-se de Itzak com
humildade e respeito (24:65). Itzak recebeu-a com igual cortesia e
respeito dando-lhe o lugar de honra na tenda de sua mãe. Casaram-se e
Itzak amou-a; podemos afirmar que foi um casamento planejado no céu.
A Morte de Abraão
O fato de que Abraão, cujo corpo já
estava “amortecido”, tenha podido gerar mais seis filhos com Quetura
indica que recebeu novos poderes procriadores ao gerar Itzak. Os filhos
dessa união vieram a ser ascendentes de algumas tribos árabes, as quais se
radicaram mormente no norte e noroeste da Arábia. Assim Abraão foi pai de
muitas nações. O último ato de Abraão foi entregar a Itzak tudo quanto
tinha, fazendo-o desse modo herdeiro das promessas.
Abrão morreu aos 175 anos. “Foi
congregado ao seu povo; e sepultaram-no Itzak e Ismael na cova de
Macpela (25:8). Posto que o povo de Abraão houvesse sido sepultado na
Mesopotâmia, a frase “Foi congregado ao seu povo” não se refere ao local
de sua sepultura, mas ao encontro com seus antepassados na habitação dos
espíritos dos mortos, chamado Seol. Isto nos ensina que existia a
esperança da imortalidade neste ponto da história bíblica
Em termos gerais, Abraão foi o maior, o
mais puro e o mais venerável dos patriarcas. Era “amigo de YAOHU UL” e
“pai dos adoradores do Eterno”, generoso, desprendido, um caráter
magnífico e um homem cuja fé em YAOHU UL não tinha limites, e tudo isto,
na vizinhança e ambiente de Sodoma e Gomorra.
A destruição de Sodoma e livramento de
Lot: Gn.18:16- 19:38. O pecado dos sodomitas havia chegado ao máximo e
YAOHU UL estava preste a castigá-los. O Eterno revelou a Abraão que havia
resolvido destruir Sodoma e Gomorra.
Por que YAOHU UL comunicou seu plano a
Abraão? Em virtude de Abraão haver-se feito amigo de YAOHU UL e de manter
comunhão com e Ele, foi que lhe deu uma antecipação de seu propósito. Os
amigos compartilham os segredos entre si e “o segredo do Eterno é para os
que o temem” Sl.25:14. Também era necessário que Abraão compreendesse que a
destruição das cidades não era um acidente natural, mas o juízo divino sobre
a repugnante imundície dos pecadores que nelas habitavam, para poder
inculcar em seus descendentes o temor de YAOHU UL, pois a recompensa (o
salário) do pecado é a morte.
A intercessão de Abraão põe em relevo que o
amigo de YAOHU UL era-o também dos homens. Indiscutivelmente lhe daria asco
a impureza dos habitantes destas cidades ao sul do mar Morto e se sentiria
como um estranho entre eles, não obstante, a comunhão com YAOHU UL havia
despertado nele um profundo amor ao próximo.
Em sua intercessão, Abraão apresentou o
problema de todas as épocas: como podia o justo Juiz castigar os bons
juntamente com os maus? Uma nota da bíblia de Jerusalém observa: “Sendo
forte, no antigo Israel, o sentimento da responsabilidade coletiva, não cabe
aqui a pergunta se os justos poderiam ser individualmente poupados”, Visto
que todos haveriam de sofrer a mesma sorte, Abraão perguntou se acaso a
presença dos justos não afastaria o juízo dos culpados. YAOHU UL respondeu
afirmativamente, porém não havia sequer dez justos em Sodoma.
A intercessão de Abraão pode servir-nos de
modelo. O patriarca combinou nesta intercessão a intrepidez com reverência,
considerou o caráter de YAOHU UL e sua justiça e persistiu intercedendo até
obter a certeza de que YAOHU UL perdoaria a cidade se houvesse nela dez
justos. Depois deixou os resultados nas mãos de YAOHU UL. Embora YAOHU UL
não tenha salvado a Sodoma, respondeu libertando a Lot e sua família.
O “justo” Lot foi afligido pela manhã pela
má conduta dos sodomitas. Não obstante, podia-se encontrá-lo sentado à porta
da cidade, isto é, imiscuía-se nos negócios e ouvia as palavras obscenas do
povo. Também permitiu que suas filhas desposassem homens de Sodoma. Assim
foi cedendo mais e mais. Não pode convencer seus futuros genros de que YAOHU
UL julgaria o pecado. Demorou e vacilou. Sentia-se tão apegado aos
benefícios materiais que nem mesmo a ameaça do enxofre e do fogo o fez
capacitar-se. Abraão, pelo contrário, havia aprendido a desfrutar das coisas
materiais, mas sem esquecer-se da esperança espiritual.
Por que a esposa de Lot olhou para trás?
Porque seu tesouro estava em Sodoma; ali também estava seu coração. Parece
que se atrasou na planície de Sodoma e ali foi alcançada pela chuva
destruidora. Provavelmente se formou sobre seu corpo uma crosta de sal e
ficou ali convertida em estatua como advertência às pessoas cujos corações
estão no mundo. A destruição de Sodoma é também uma advertência de que YAOHU
UL não suporta indefinidamente a maldade.
Em ambos os lados do mar Morto existem
ainda jazidas de petróleo que se derretem e arde. Na mesma área foi
encontrada também uma camada de sal misturas com enxofre. Conjetura-se que
YAOHU UL acendeu os gases para produzir uma explosão enorme, e que assim sal
e enxofre foram atirados sobre a cidade de modo que literalmente choveu
enxofre e fogo, do Eterno desde os céus. Ainda há colunas de sal nas
cercanias do extremo sul do mar Morto, As quais recebem o nome de “esposa de
Lot”. Atualmente o local das cidades julgadas está coberto pelas águas do
mar Morto.
Pobre Lot! Perdeu a esposa e o lar; suas
filhas se corromperam e mediante um truque por elas planejado, Lot veio a
ser o antepassado incestuoso dos grandes inimigos de Israel; os moabitas e
os amonitas. Estes povos foram notórios por suas ambições idolatras e
constituíram o perigo de contagio para Israel através dos séculos. Nm:25:1-
3; Rs.11:7. Lot é uma amostra do homem carnal que procura ganhar o mundo e
ao mesmo tempo reter o espiritual. Perdeu tudo, salvo sua própria alma.
Abraão e Abimeleque: Gn.20. Abraão,
movido pelo temor recorreu ao engano como havia feito no Egito. Pôs assim em
perigo o cumprimento do plano da redenção. Alguns crêem que este relato não
se encontra em correta ordem cronológica, pois a esta altura Sara teria
noventa anos. É possível que haja ocorrido nos primeiros anos em que o casal
se encontrava em Canaan. YAOHU UL denomina a Abraão ”profeta” (20:7) não no
sentido de ser como os outros profetas da Tanach, mas porque tinha relações
privilegiadas com YAOHU UL e era um poderoso intercessor. Neste capitulo
encontra-se a primeira referência à cura divina como respostas à oração
(20:7).
Nascimento de Itzak, expulsão de Ismael:
Gn. 21. O Eterno recompensou grandemente a fé que Abraão demonstrou durante
os vinte e cinco anos de sua peregrinação a Canaan. Também interveio
milagrosamente para dar-lhe um filho. O nome Itzak, dado ao recém nascido,
que parecia uma censura ao riso incrédulo do velho casal, agora tem novo
significado: era o riso de alegria por ter um filho.
A presença de Itzak no lar trouxe outra
prova para o patriarca, Ismael, que teria aproximadamente dezesseis anos,
demonstrou seu caráter zombando de Itzak. Parece que foi motivado por sua
incredulidade e inveja. Sara percebeu que a natureza do rapaz não concordava
com o espírito de fé prevalecente na família. As duas linhagens tinham de
estar marcadamente separadas. Sara pediu ao seu marido que expulsasse a
Ismael. Era penoso para Abraão fazê-lo, mas YAOHU UL o consolava dizendo-lhe
que por meio de Itzak viria sua descendência. Além do mais, por amor a
Abraão YAOHU UL cuidaria do jovem e sua descendência formaria uma grande
nação.
Hagar e Ismael aprenderam que embora
expulsos das tendas e sem proteção de Abraão, não estavam por isso alijados
da solicitude de YAOHU UL. Ele estava com Ismael e cuidou dele em sua
juventude, possibilitando assim o cumprimento da promessa que ele mesmo
fizera de que por meio de Ismael faria uma grande nação (os atuais
islamitas). Não se afastou da família de Abraão.
O incidente pelo qual os filisteus fizeram
aliança com Abraão demonstra claramente que este, com a benção de YAOHU UL
chegara a ser um personagem de grande importância e influência aos olhos dos
senhores pagãos. Estes reconheceram que YAOHU UL estava com ele em tudo
quanto fazia (21:22). Desejavam sua boa vontade e ser seus aliados. Este
relato salienta também a importância dos poços naquela região aonde a
quantidade de chuva chega a ser de 100 mm durante o mês de janeiro e diminui
até chegar a nada nos quatro meses do verão. A posse dos poços seriam no
futuro motivo de rixas entre os filisteus e Itzak (Gn.26:17-0 33).
O sacrifício de Itzak: Gn:22. O
pedido do Eterno de que Abraão oferecesse a Itzak como sacrifício foi a
prova suprema da fé do patriarca. Podemos observar que lhe era difícil
porque:
a – A alma de Abraão se desfazia
ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a YAOHU UL.
b – Parecia-lhe estranho porque
Abraão já sabia que não agradava a YAOHU UL o conceito pagão de ganhar o
favor dos deuses sacrificando seres humanos.
c – YAOHU UL não lhe deu razão
alguma que apoiasse seu pedido como havia feito quando animou a Abraão a
expulsar a Ismael.
d – O pedido era contrário a
promessa de que somente por Itzak se formaria a nação escolhida, pois no
entender humano YAOHU UL estava contra YAOHU UL, fé contra fé e promessa
contra ordem.
O propósito da prova era aumentar a fé que
Abraão tinha, dar-lhe à oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber
uma revelação mais profunda ainda de YAOHU UL e de seu plano. YAOHU UL não
tentou a Abraão como algumas versões bíblicas traduzem Gn.22:1. A tentação é
demoníaca e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado. Ao contrário,
YAOHU UL prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua
obediência e crescer espiritualmente. Antes de expor Abraão à prova final,
havia-o submetido a uma longa preparação.
Embora Abraão não tenha entendido o motivo
da ordem de YAOHU UL, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava
para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar
Itzak e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que
a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de
Itzak e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a
cinzas, YAOHU UL ressuscitaria a Itzak do montão de cinzas. Por isso, ao
deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (22:5). Crer no poder
divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé.Tal tipo de fé é
indispensável para alcançarmos a redenção.
O que aconteceu depois mostra-nos que YAOHU
UL não quer que lhe ofereçamos um corpo morto, mas um sacrifício vivo, uma
vida consagrada a Ele como Ele faria pela humanidade dando-nos Seu Filho
unigênito, Yaohushua (João 3:17). Não estendas a tua mão sobre o moço
. . . porquanto agora sei que temes a YAOHU UL, e não me negaste o teu
filho, o teu único. Tudo o que YAOHU UL queria era a rendição de
Abraão, um sacrifício em espírito. Queria que Abraão mostrasse que amava
mais a YAOHU UL que a seu próprio filho e as promessas feitas. Exige YAOHU
UL de nós algo que Ele próprio não esteja disposto a dar? Abraão teve sua fé
grandemente recompensada. Recebeu a seu filho simbolicamente dentre os
mortos e dali em diante esse filho lhe foi mais precioso que nunca. Da mesma
forma, o que entregamos a YAOHU UL Ele no-lo devolve muito mais enriquecido
e elevado que antes.
No Bereshit (Gênesis), dos capítulos 12
até 50, temos a História Patriarcal que passa a ser relatada nas
próximas dez parashot, iniciando na presente e indo até Vayechi.
Ao começar a história de Abraão, o
escritor inspirado deixa para trás a história primitiva da raça em geral
para relatar a de uma família. Reúne as lembranças que se conservam “os
grandes antepassados de Israel. Abraão, Itzak, Iakov (Jacó) e Iosef
(José). Todos eles se destacam como homens que ouvem a voz de YAOHU UL e
a obedecem. Todos os seus momentos estão assinalados pela intervenção
divina. O grande propósito de YAOHU UL aos escolher essas pessoas é
formar um povo que realiza a sua vontade na terra e seja um meio de
cumprir o plano da salvação”.
O período patriarcal começa por volta
do ano 2000 aeC e dura mais ou menos três séculos.
O chamado de Abraão
É sem dúvida o acontecimento mais
importante do Tanach. Aqui tem início a obra da redenção que foi
instituída no jardim do Éden (3:15). Os primeiros onze capítulos do
Gênesis demonstram que YAOHU UL se relacionava com a humanidade em
geral, sem fazer distinção entre as raças. Tanto o mundo antediluviano
como o da torre de Babel ressaltam que a despeito do progresso material
e do nascimento das civilizações, o homem fracassa moral e
espiritualmente. Até aqui, o Eterno havia posto os olhos sobre
diferentes indivíduos, que eram os meios apropriados para conservar a
“semente da mulher” e o conhecimento de YAOHU UL. Agora ele muda seus
métodos. Chama a um homem para fundar a raça escolhida mediante a qual
realizaria a restauração da humanidade. O espaço que o livro do Gênesis
concede a esta passagem demonstra sua importância. Os primeiros onze
capítulos abrangem mais tempo do que todo o restante da Tanach. Trinta e
nove capítulos, porém, são dedicados aos começos da nação escolhida, da
qual virá o Messias.
Abraão é o personagem mais importante
do Gênesis, e um dos mais importantes de toda a Tanach. Moisés dedicou
meramente onze capítulos ao que aconteceu antes de Abraão, enquanto que
treze capítulos se referem exclusivamente à vida pessoal do patriarca.
YAOHU UL usou Abraão para fundar tanto a família de Israel como a fé dos
hebreus. As três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e
Islamismo, reverenciam-no como o pai de sua fé. Em realidade, a Tanach
declara que o “povo escolhido” não se refere somente à descendência
carnal do patriarca, mas a todos quantos tem a mesma fé que Abraão
tinha. Isto é, ele é o pai espiritual de todos os que crêem em YAOHU UL.
Somente a Abraão se chama “amigo de YAOHU UL” II Cr.20:7.
Considerando que a religião do Eterno
consiste no ato de depositar a fé em um YAOHU UL pessoal, Abraão tinha
de aprender a confiar nele implicitamente. YAOHU UL cultivou de três
maneiras a fé que Abraão tinha: dando-lhe grandes promessas, pondo-o à
prova cada vez mais, e concedendo-lhe muitas aparições divinas. Era
preciso que Abraão conhecesse a YAOHU UL, pois esse conhecimento era a
base de sua fé.
YAOHU UL chama a Abraão :
primeira prova. (12:1-9). A família de Abraão
e, provavelmente, o próprio Abraão prestava culto a vários deuses (Js.24:2).
Não obstante, as Escrituras insinuam que ainda assim tinham certo
conhecimento do Eterno, pois Abraão em sua velhice enviou seu servo para
buscar entre eles uma esposa para Itzak, seu filho. Seu motivo era
religioso; queria ter uma nora que adorasse ao Eterno. Por isso, em meio
da idolatria universal, YAOHU UL se manifestou a Abraão, chamando-o para
uma vida de fé e separação.
As promessas feitas a Abraão são
interessantes. Abraão seria famoso e reverenciado, não por sua própria
virtude, mas pelo favor de YAOHU UL, que disse: “abençoar-te-ei, e
engrandecerei o teu nome”. Abraão tinha a responsabilidade de ser um
canal de bênção para outros: ” tu serás (deverás ser) uma bênção” (YAOHU
UL nos abençoa para que sejamos bênção). Finalmente, YAOHU UL prometeu
abençoar ou amaldiçoar aos homens segundo a atitude que tivessem para
com Abraão: ” E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te
amaldiçoarem! Assim YAOHU UL o protegeria.
As transcendentais promessas feitas
a Abraão e a seus descendentes são três:
* Herdariam a terra de Canaã.
* Chegariam a ser uma grande nação (a
grandeza prometida significa muito mais do que uma população numerosa).
* Por meio deles, todas as linhagens da
terra seriam abençoadas (esta é a promessa messiânica).
A primeira prova à qual YAOHU UL
submeteu a Abraão foi a separação de sua pátria e de sua família. Tinha
de voltar as costas para a idolatria a fim de poder ter comunhão com
YAOHU UL. A vida de fé começa com a obediência e a separação. “Ou nossa
fé nos separa do mundo, ou o mundo nos separa de nossa fé”. Abraão foi o
Cristóvão Colombo do Tanach, pois “saiu, sem saber para onde ia”, tinha
de confiar incondicionalmente no Eterno.
Parece que no principio a obediência
foi apenas parcial. Foi com Terah, seu pai, até Haran, centro de reunião
de caravanas e também do impuro culto a Sin, deusa da Lua. Terah havia
renunciado a seus pais, mas aparentemente não havia abandonado de todo
sua idolatria. Em Haran radicou-se para viver o restante de sua vida,
mas depois YAOHU UL guiou a Abraão a seguir rumo a Canaan, distante 650
km.
Por fim, chegou à terra que YAOHU UL
lhe havia indicado. Agora vivia como estrangeiro e peregrino, viajando
de um lugar para outro. Nunca foi dono de um metro quadrado de terra, a
não ser o local de sua sepultura. Shchem (Siquém), a encruzilhada da
Palestina, situada a 50 km ao norte de Jerusalém, foi a sua primeira
parada. Depois chegou ao carvalho de More, considerado o centro de
adivinhações e idolatria. Ali YAOHU UL apareceu a Abraão, segurando-lhe
de novo sua presença e confirmando-lhe que sua descendência herdaria
Canaan. Assim YAOHU UL o recompensou por sua obediência. Abraão
respondeu construindo um altar e oferecendo culto público ao Eterno. A
onde que ia, levantava sua tenda e edificava um altar. A expressão
hebraica indica que Abraão invocou em alta voz o nome do Eterno; uma
proclamação do nome, da natureza e do caráter de YAOHU UL. De modo que
Abraão tinha comunhão com YAOHU UL, e ao mesmo tempo testificava perante
o mundo.
A fome : segunda prova.
(12:10-20). Por falta de fé Abraão foi para o Egito.
YAOHU UL não lhe havia ordenado sair da Palestina. Recorreu à mentira
para escapara do perigo (ainda que houvesse um elemento de verdade no
que disse; 20:12). “Não duvidou por incredulidade” das grandes
promessas, porém tropeçou nas pequenas coisas. É de surpreender que Sara
tenha sido considerada mulher atraente, já que tinha sessenta e cinco
anos; mas como viveu 127 anos, naquela altura seria como outra mulher
aos quarenta.
Abraão não edificou nenhum altar no
Egito, Saiu humilhado, reconhecendo que YAOHU UL é santo. Até a escrava
egípcia Hagar e o aumento de gados obtidos no Egito lhe causaram
problemas mais tarde. Aprendeu quão perigoso é afastar-se de YAOHU UL. À
semelhança do acontecido no episódio em Gênesis capítulo 20, YAOHU UL
demonstrou sua fidelidade. Trouxe seu juízo sobre os que ameaçavam o
plano divino de que Sara fosse a antecessora de Israel.
Contenda sobre pastagens :
terceira prova.(Gn.13). Lot, sobrinho de
Abraão, acompanhava-o desde sua partida de Ur. Como seu tio , Lot havia
adquirido grande soma de gado e servos. Surgiu uma contenda entre os
pastores dos dois senhores, porque se tornava difícil encontrar água e
pastos suficientes para os rebanhos de ambos. Parecei a Abraão melhor
separar-se antes que brigar. Apresentou seu argumento: “porque somos
irmãos”. Por direito de antiguidade, Abraão poderia ter escolhido sua
parte do terreno; não obstante, permitiu que seu sobrinho escolhesse,
demonstrando assim a generosidade do homem que vivia pela fé. Lot
escolheu egoisticamente, guiando-se pelas aparências, e teve de sofrer
as conseqüências mais tarde. É exemplo do homem carnal que busca em
primeiro lugar as coisas do mundo e no fim perde tudo. Por outro lado,
YAOHU UL recompensou Abraão: disse-lhe que olhasse em seu derredor, pois
toda a terra ao alcance de sua vista seria sua, inclusive à parte de seu
sobrinho Lot. Também devia percorrer a terra de Canaan no seu
comprimento e largura. “Significa que Abraão podia sentir-se tão livre
na terra como se tivesse em suas mãos a escritura legal”. Certamente
deve ter-se alegrado pela fé no que YAOHU UL lhe havia dado. Além do
mais, YAOHU UL prometeu que seus descendentes seriam inumeráveis. Quanto
melhor foi para Abraão haver ocupado o segundo lugar deixando seu futuro
nas mãos de YAOHU UL.
Abraão liberta a Lot :
(Gn.14). Uma vez que Lot escolheu a melhor terra de pastagem antes que a
vontade de YAOHU UL, de imediato se encontrou em Sodoma. Esta cidade foi
atacada depois por forças inimigas e Lot sofreu o castigo de sua
insensatez.
Os detalhes históricos do capitulo 14
concordam exatamente com o que a arqueologia tem descoberto acerca
daquela região nessa época. A área de Canaan estava bem povoada e havia
cidades-estados governadas por xeques (senhores locais). Em regra geral,
eram vassalos de reis mais fortes. Elão, pai ao Oriente da Suméria,
tinha domínio sobre Babilônia e os demais países da região. As cidades
ao sul do mar Morto eram seus vassalos. Os invasores tomaram o caminho
real, descendo pelo leste do Jordão até o deserto e depois subindo rumo
ao mar Morto. O vale de Sidim (14:3, 10), ao sul do mar Morto tinha
poços de betume (14:10); agora estão coberto pelas águas, mas ainda o
mar Morto, nessa área, lança betume em quantidade.
Ao ser avisado do desastre militar que
haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos,
conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores.
Recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque surpresa à noite.
Em parte a excessiva confiança que os vencedores tinham em si mesmos,
nascidas de seus fáceis triunfos anteriores e a resolução inesperada de
Abraão e seus aliados, influíram na vitória sobre o formidável exército.
Não obstante, o elemento mais importante foi à intervenção de YAOHU UL
(14:20).
YAOHU UL faz aliança com
Abraão : (Gn.15). Por que o Eterno disse a
Abraão: “não temas?” Parece que Abraão se encontrava em um estado
depressivo depois de chegar ao clímax de um testemunho intrépido.
Voltariam os quatro reis para vingar-se dele? Havia sido néscio não
aceitando o despojo de Sodoma, que bem lhe pertencia? YAOHU UL lhe deu
confiança dizendo que ele próprio, YAOHU UL, seria seu defensor e o
recompensaria grandemente. Mas Abraão se entristecia por não ter filho.
Eliezer seria seu herdeiro? Naquele tempo, se um homem não tinha filhos,
a herança podia recais sobre um servo fiel. Porem YAOHU UL lhe prometeu
que ele teria um filho, e seus descendentes seriam inumeráveis como as
estrelas do céu. Abraão reconheceu que a promessa era humanamente
impossível, “creu no Eterno, e foi-lhe imputado isto por justiça”. Este
é um dos versículos mais significativos da Bíblia. Em face da fé que
Abraão possuía, YAOHU UL o aceitou como se fosse um homem justo. É a
primeira indicação clara da doutrina da justificação pela fé. A frase
“creu no Eterno” significa literalmente em hebraico “apoiou-se no
Eterno”. Era mais do que aceitar intelectualmente a promessa: refere-se
a confiar incondicionalmente na pessoa de YAOHU UL e em sua promessa.
Abraão colocou-se a si mesmo e seu futuro nas mãos de YAOHU UL.
YAOHU UL prometeu a Abraão, uma terra
que se estenderia do Nilo até Eufrates. Israel nunca ocupou toda a terra
que YAOHU UL lhe prometeu, e parece que a promessa ainda se cumprirá .
Não obstante,os hebreus ocuparam Canaan no tempo de Josué e sua nação
chegou ao apogeu quanto à extensão territorial na época de Davi.
Canaan está na encruzilhada entre três
continentes: Europa, Ásia e África . YAOHU UL poderia ter colocado seu
povo em um lugar mais protegido,porém escolheu uma terra estratégica
onde os israelitas pudessem exercer maior influencia no mundo.
YAOHU UL confirmou sua promessa fazendo
uma aliança solene com Abraão, segundo o costume da época (Jr.34:17-
20). As partes contratantes se punham cada um à extremidade do animal
dividido e passavam por entre as metades, Assim expressavam que “se não
cumprir minha parte do pacto, posso ser cortado em pedaços como este
sacrifico”. Neste caso, porém,, somente o Eterno passou, em forma de um
forno fumegante e uma tocha, pois sua aliança era unilateral, uma
iniciativa divina, e somente Ele poderia cumpri-la. O que cabia a Abraão
era simplesmente aceitar a aliança e continuar crendo em YAOHU UL.
O cumprimento da aliança não começaria
até que os descendentes de Abraão tivessem vivido 400 anos em terra
alheia, onde seriam oprimidos e escravizados. Seus opressores, porém,
seriam julgados e os hebreus sairiam com grande riqueza. Assim YAOHU UL
preparou seu povo para suportar os padecimentos antes de apossar-se da
Canaan.
Hagar e Ismael :
(Gn.16). Uma das provas mais difíceis que Abraão e Sara tiveram de
suportar foi a longa demora antes de receberem o filho. Por que tardou
tanto tempo em cumprir-se a promessa? YAOHU UL queria que eles soubessem
que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos,
mas da pura graça, um milagre. Ao passar dez anos em Canaan sem ter
filhos, Sara procurou ajudar a YAOHU UL a fim de que se cumprisse a
promessa. Segundo a lei mesopotâmica daquela época, uma esposa estéril
podia dar a seu marido uma serva como mulher e reconhecer como seus os
filhos nascidos dessa união. Abraão, em um momento de incredulidade,
cedeu ao plano de Sara, porém as conseqüências foram tristes. Havia
inveja e conflitos no lar. Hagar reagiu ante o tratamento dura de Sara
conforme a seu nome, pois a palavra Hagar significa “foge” (errante).
Selada a aliança com a
circuncisão : (Gn.17:1- 18:15). Abraão tinha
setenta e cinco anos quando saiu de Haran e agora estava com noventa e
nove. Havia andado treze anos pela fé desde a ultima revelação divina. A
perspectiva de ter um filho por meio de Sara, parecia muito remota e
Gênesis 17:18 indica que Abraão já pensava em Ismael como substituto do
filho prometido.
YAOHU UL apareceu a Abraão para
fortalecer sua fé minguante, para dar-lhe uma suave repreensão e renovar
o pacto. revelou-se como YAOHU UL. UL significa o Eterno Criador e
ressalta seu poder. Muitas traduções trazem El Shadai, no entanto, uma
simples pesquisa sobre a pessoa de 'EL' na mitologia Babilônico-Caldéia
irá revelar que 'EL' (que muitos traduzem como Senhor) era um ídolo
pagão muito popular na antiga história destes povos. Ele era um ídolo
associado com incesto, luxúria, imoralidade e deslealdade. Já, a palavra
'shaddai' se refere a espíritos sedutores no reino maligno. O uso deste
título invoca espíritos sedutores com as características imorais de 'EL'
- conduzindo muitas pessoas à escravidão de idolatria pagã. Até mesmo
feiticeiros sabem disso e invocam este título específico em seus
encantamentos, sessões de cura e adoração satânica.
Assim YAOHU UL animou a Abraão
mostrando-se como o YAOHU UL Todo-poderoso, capaz de fazer tudo o que
havia prometido. Anda em minha presença e sê perfeito, eram as condições
para que o pacto fosse cumprido.
YAOHU UL deu dois sinais para confirmar
a aliança: a mudança de nomes e a circuncisão. Já não se chamaria mais
Abrão (pai enaltecido) mas Abraão (pai de uma multidão). Aparentemente,
a mudança de Sarai para Sara era simplesmente mudar de um, a forma para
outra palavra que tem o mesmo significado. Não obstante, a mudança
elevou-a a uma posição de alta dignidade no pacto. Uma mudança de nomes
é sinal do favor divino, mas como escarneceriam os cananeus das
pretensões inerentes aos novos nomes deste velho casal? YAOHU UL
denomina o que ainda não é como se já o fosse
Embora a circuncisão fosse praticada
por outros povos, aqui é dada como sinal da aliança entre o Eterno e seu
povo. Também tinha grande significado simbólico. Os profetas falaram da
circuncisão do coração e dos ouvidos, referindo-se à obediência à lei de
YAOHU UL. Representava purificação e renovação do coração (Dt.10:16;
Jr.4:4).
Ao ouvir a promessa de que Sara daria a
luz um filho, Abraão riu-se; pôs em dúvida a capacidade geradora de si
mesmo e da sua esposa, e exclamou: “Oxalá que viva Ismael diante de teu
rosto!”
O riso de Abraão seria secundado pelo
riso de Sara (18:12). Portanto YAOHU UL deu ao filho prometido o nome de
Itzak, que significa riso. Quando Itzak nasceu, o riso incrédulo de Sara
converteu-se em riso de gozo: “YAOHU UL me tem feito riso (21:6). Foi
necessário que YAOHU UL repreendesse a Sara a fim de que ela cresse. O
cumprimento da promessa dependia da fé de ambos.” Haveria coisa difícil
ao Eterno?
Nessa semana, a Parashá nos traz a
história de Noach (Nóe) sua Tevá (arca) e do Mabul, (Dilúvio).
É Super interessante o fato de associação
que a parashá Noach tem com a parashá da semana passada, Bereshit. Em
Bereshit vimos a magnífica história da criação do mundo, obra dos
Dedos de nosso Eterno YAOHU UL; e em Naoch, vemos a reconstrução desse
mundo, após o término do mabul.
Outro fato interessante, é que durante
todo aquele tempo em que Noach e sua família esteve na tevá, homens e
animais viviam em harmonia, coisa que não acontecia anteriormente
(após o pecado de Adão).
Eles tiveram a oportunidade de presenciar
uma pequena parte de como será o Reino Milenar, com a volta do
Mashiach Yeshua. Segundo o texto que encontrei, aquela sensação foi
tão gostosa que nenhum dos que estavam à bordo queriam descer, prova
disso é que foi preciso o Eterno mandá-los sair da tevá para
reproduzirem e multiplicarem-se na terra.
Até parece estranho não é ???... depois de
exaustivo tempo fora da vida, até então comum, porque os tripulantes
se recusariam sair? Será que não estavam enjoados?
Nós, Israelitas da Nova Aliança somos
movidos pela infinita misericórdia Divina, e nos mantemos firmes
através da oração e comunhão... O nosso prazer é fazer a vontade
dAquele que nos criou, por isso percorremos esse caminho, na fé de
obtermos a tão almejada recompensa.
Só que, infelizmente, existem aqueles que
se enjoam dessa jornada e acabam saindo; e também aqueles que não se
interessam e nem ao menos entram... O Engraçado disso tudo é que ambos
chegam a um mesmo pensamento e conclusão – “fora desse caminho é bem
melhor”.
A Tevá não parecia o que era, antes do
mabul. Da mesma forma essa jornada não parece que nos levará a uma
vida de paz e imortalidade, mas, para a infelicidade daqueles que à
ela não são fiés, digo com extrema certeza, ela é a única e verdadeira
forma de salvação.
Muitos à abandonam, muitos a desprezam,
mas apesar de tudo, NÓS CONTINUAMOS FIRMES, até a volta de nosso
Amado.
Porque todo aquele que faz o mal odeia
a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam
reprovadas.(Jo 3:20)
A parashá dessa semana Bereshit (No
Princípio), nos mostra toda a maravilhosa criação do Eterno, desde
pequenas coisas às mais extraordinárias, desde um simples réptil á
principal criação, o Homem.
Apesar de alguns versículos dessa parashá
serem difíceis de se entender, ela consegue nos mostrar a Soberania e a
Excelência de YAOHU UL. Após a criação dos céus e da terra, todo aquele
estado caótico em que a terra se encontrava, ia se transformando e se
embelezando, conforme A Palavra do Eterno, nosso Grande YAOHU UL.
Um dos pontos que aqui quero ressaltar, é a
respeito do pecado...
Quando Eva e Adão pecaram, eles se
esconderam da presença de YAOHU UL... “E chamou o Eterno YAOHU UL ao homem e
disse-lhe: Onde estás?”
Uma pergunta... - Será que o Eterno não
sabia onde eles estavam?
Existe uma interessante explicação pra
isso. Todos sabemos que um dia retornaremos ao pó, ou seja, que já
nascemos com os dias contados por YAOHU UL. A questão "Onde você está?" é o
chamado eterno de YAOHU UL a cada ser humano. Ela se refere ao seu
comportamento: "onde você está neste mundo, o que você tem feito de bom
e o que você tem atingido de positivo?"
Onde estamos irmãos? Será que nossos atos
produziram frutos positivos? Será que o que temos feito tem ajudado na
obra do Eterno e na edificação espiritual de nossos semelhantes?
São perguntas importantíssimas a serem
refletidas, pois com união e consciência tranqüila de estarmos no
caminho certo, fazendo o que deve ser feito e evitando o que deve ser
evitado, é que, naquele dia, venceremos.
Baruch HaShem por estarmos ainda vivos
e, através de nosso amado Mashiach Yeshua, sermos participantes das
mesmas promessas de nosso pai Abraão e de seu povo...!
Infelizmente não consegui elaborar essa
semana um comentário particular a respeito dessa parashá tão
importante (a ultima da Tora). Mas para compensar a minha má
organização de tempo, ai vai um interessante comentário, a respeito,
que encontrei na net...
Se o Eterno permitir, na próxima parashá
estarei organizando melhor meu tempo, para, com os amados, partilhar
desta tão grande e agradável dádiva que herdamos, a Torá.
Lehitraót, e me desculpem.
Chessed V’Shalom..........Guedy.
"Fulano é uma
pessoa que possui um altíssimo nível intelectual." É assim que
chamamos alguém que durante anos dedica-se ao estudo e leitura de
muitas ciências. Esta intelectualidade não pode ser adquirida com
dinheiro, nem pode ser dada "de presente". Para se alcançar este
nível, é preciso que haja muita dedicação e árduos esforços, pois só
através destes meios, alguém pode adquirir a sabedoria e o domínio
sobre vastas áreas do conhecimento.
Na parashá, Vezot
Habrachá (E esta é a benção) , aprendemos que o "altíssimo nível
intelectual" do povo de Israel pode ser adquirido de uma forma muito
especial. Moshé, ao abençoar o povo, lhes diz: "A Torá, que Moshé nos
prescreveu, é a eterna herança da Congregação de Yaacov" (Deut. 33:4).
A fonte da Sabedoria Divina, através da qual D’us expressa Sua vontade
ao Seu povo, certamente requer muito estudo, dedicação e perseverança.
Obviamente, tudo isso é necessário para que se obtenha um conhecimento
abrangente e profundo da sabedoria da Torá.
No entanto, mesmo
se algum judeu ou judia não tiver este aprendizado, nem dedicar
esforços a este estudo ou não aprofundar seus conhecimentos da Torá,
ele ou ela já são considerados donos indiscutíveis e "possuidores" da
Torá, desta profunda e Divina Sabedoria. Por quê? Por que a Torá é a
herança inseparável de todo o povo judeu. Vamos estudá-la, cumpri-la,
apreciá-la!
Por mais que um
judeu ou judia saiba ou não, esteja consciente ou não, aprecie ou não,
ele ou ela são herdeiros. O herdeiro, assim que nasce, por mais que
não seja capaz de entender ou apreciar, torna-se o dono indiscutível
de sua herança, de um patrimônio que está acima e além de sua
capacidade de obter ou entender...
Assim é a Torá. Ela
é nossa herança de geração em geração e nós nunca deixaremos de
possuí-la. Este é um grande mérito e ao mesmo tempo uma grande
responsabilidade. Todos nós devemos nos conscientizar de que este é o
nosso maior patrimônio, pelo qual devemos zelar, apreciar e cumprir.
Dizer "acredito" ou "não acredito", "quero" ou "não quero", não tem
valor nenhum diante do fato "juridicamente" simples e contundente:
somos herdeiros da Torá - os únicos herdeiros legais! Faz sentido
alguém protestar e dizer: "não quero ser dono de minha sabedoria, de
minha inteligência"?!
Todo ano esta parashá é lida em
Simchat Torá e logo em seguida reiniciamos a leitura da Torá com
Bereshit. A Torá inicia-se com a letra Beit e termina com a letra
Lamed (de Israel). Unindo o final com o início obtemos a palavra Lev,
(coração) indicando que definitivamente as palavras de D’us
permanecerão eternamente em nossos corações.
A Parashah de Haazínu coroa dignamente a grandiosa obra de Moises pela
sua magnificência e elevação de pensamento. O profeta reuniu, nela, todas as
riquezas da poesia e da eloqüência para fazer penetrar na alma de seu povo a
sua preciosa prédica:
“Que a minhas palavras sejam para vós como a chuva que penetra na
terra, a fecunda e a vivifica; como o orvalho bendito que sempre traz
proveito“.
Após esta poética introdução, Moisés resume em poucas palavras a história
dos Hebreus, evocando seu passado, sua modesta origem, suas felicidades e
suas iniqüidades; mais adiante, ele adverte sobre as desgraças que
alcançarão ao povo, que embriagado pela fortuna, esquecerá a sua missão
moral, para entregar-se inteiramente aos prazeres materiais.
“E engordou-se Israel e deu coices; engordou-se, engrossou-se,
cobriu-se de gordura, e abandonou o YAOHU UL, que o fez e desprezou o Forte
da sua salvação” Dt.32:15.
. . .
. . .
. . .
Ouvi, ó céus, e falarei; e ouça a terra os ditos da minha boca.
Dt.32:1
Moisés dirige-se nesta Parashah aos céus e a terra para que ouvissem as
suas palavras. Segundo o Midrash, a razão desta magnífica invocação foi a
seguinte:
Eu sou, disse Moisés, um ser de carne e osso, sujeito a morrer; os meus
sucessores o serão de igual forma; se o povo de Israel vier a esquecer a Lei
e transgredir a Divina Aliança, que lhe faria lembrar a sua desobediência e
infidelidade? Eu vou chamar contra eles testemunhas permanentes, os céus e a
terra. Ouvi ó céus e falarei, e ouça a terra os ditos da minha boca. É a vós
que eu invoco; eu chamo os céus e a natureza inteira para encaminhar Israel
na senda do bem e desviá-lo da via do mal e da ingratidão humana. Que os
céus e a terra sejam os eternos censores do povo de YAOHU UL. Nós os
condutores dos povos passamos, e vós ficareis para sempre!
Comigo está a vingança e o pago; retribuir-lhes-Ei quando
resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e, o seu destino
se apressa em chegar. Dt.32:35
Até este versículo, Moisés disse-lhes palavra de admoestações, fazendo o
quadro negro das catástrofes que o atingiram. De aqui em diante, falou-lhes
palavra de consolo: “Quando YAOHU UL ver que o poder do inimigo se fortalece
muito e que os israelitas já foram suficientemente abandonados à mercê
deles, salvá-los-á (Dt.32:36). Esta profecia de Moisés, repetiu-se várias
vezes, no curso da longa e dolorosa história de Israel, inclusive em nossos
dias. Hoje, mais do que nunca, deverá fazer-se sentir, entre nós, este
discurso de Moisés: “Aplicai o vosso coração a todas as palavras que hoje
testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos, para que cuidem de
cumprir todas a palavras desta Lei; porque isto não é coisa vã, mas é vossa
vida, e por esta coisa prolongareis dias nas terra para a qual, estais
passando o Jordão, a fim de herdá-la”. (Dt.32:46, 47)
Mais uma vez, a ultima vez do ano, me
apresento! :)
A parashá dessa semana, Nitsavim (firmes) nos
traz uma mensagem de força para o próximo ano!
Esta parashá, que vai ser lida no ultimo
shabat desse ano, nos mostra como buscarmos a benção para o ano
vindouro... "Vocês estão de pé firmes (Nitsavim) neste dia diante de
D’us, o teu D’us..."... Neste dia refere-se a Rosh Hashaná , o dia do
julgamento da humanidade (pois foi neste dia que D’us criou Adam e
Chava, os ancestrais de todos os seres humanos). D’us nos garante e
abençoa para que tenhamos firmeza e sejamos bem sucedidos no nosso
julgamento, nos dando forças, assim, para seguir o ano todo.
Nitsavim nos ensina que, neste mês, D’us
entrega, a cada um de nós, a chave para abrir o "baú" das bênçãos do
ano todo, porém esta chave chama-se firmeza e altivez. O que isso quer
dizer?... Quer dizer que devemos estar em constante busca desta chave,
para chegarmos no fim do ano e desencadear um ano novo de bênçãos
garantidas.
Para conseguir firmeza e altivez, devemos nos
apegar mais as leis de D’us, orando e vigiando incessantemente, pois,
com todos os acontecimentos históricos anteriores e atuais, com
certeza podemos afirmar que breve está a volta do Mashiac Yeshua...
Este sim, grande e poderoso, a principal referencia de todo o judaísmo
que seguimos, apenas com a volta dEste, é que todo nosso esforço
valerá a pena, pois finalmente seremos varões perfeitos, reis e
sacerdotes na futura cidade que descerá do céu, Yerushalaym, Eretz
Kadosh.
O ponto alto desta parashah, sem desmerecer o tema do capítulo 26, é sem
dúvida o tema abordado nos capítulos 27 e 28, Bênçãos e maldições. Moisés
explica pormenorizadamente as bênçãos e as maldições que acompanhavam o
pacto do Sinai e convida a nova geração a renová-lo; todavia, a ratificação
final do pacto com o Eterno seria feita em Canaã depois de atravessar o Rio
Jordão.
1. A promulgação da lei em Ebal: (Cap.27) Ao entrar na terra
prometida, Israel tinha de passar pelo vale entre os montes Ebal e Gerizim.
Este vale forma um anfiteatro natural, ideal para proclamar a lei ante uma
multidão. Aí deviam apresentar sacrifícios de holocausto e ofertas de paz. O
holocausto significa consagração, e a oferta de paz, comunhão com YAOHU UL.
Desta maneira, ao entrar na terra, os israelitas se consagrariam de novo ao
Eterno e gozariam da comunhão com seu grande Dirigente Espiritual. Eram atos
imprescindíveis para receber o apoio divino e alcançar a vitória sobre os cananeus. Seis das tribos iam tomar posição sobre as faldas do monte Ebal e
as outras seis sobre Gerizim. Quando os levitas lessem as maldições, os
israelitas situados na falda de Ebal responderiam com 'Amém'. Quando se
lessem as bênçãos, as tribos que estavam sobre Gerizim responderiam da mesma
forma (Js.8:33, 34). Dessa forma, antes de conquistar Canaã, os israelitas
teriam gravadas em seus corações as condições que determinariam a bênção ou
a maldição. É interessante que o altar devia ser edificado sobre Ebal, o
monte da maldição.
2. Sanções da lei, bênçãos e maldições: (Cap.28) Moisés enumera
extensamente e com vários detalhes minuciosos as bênçãos e as maldições, de
modo que à entrada dos israelitas na terra prometida a escolha de seu
destino estava diante deles. A obediência traria bênçãos e a desobediência
acarretaria maldição. Se os israelitas houvessem prestado atenção às
advertências de Moisés, teriam sido salvos de grandes padecimentos através
de sua história.
A obediência traria as seguintes bênçãos a Israel (28:1-14) :
- Prosperidade extraordinária e geral 2-6
- Livramento dos inimigos 7
- Abundância de produção 8, 11, 12
- Bênçãos 9, 10
- Proeminência entre as nações 1, 10, 13
A desobediência traria as seguintes maldições ( 28:15-68) :
- Maldições pessoais 16-20
- Pestes 21, 22
- Estiagem 23, 24
- Derrota nas guerras 25-33
- Pragas 27, 28, 35
- Calamidades 29
- Cativeiro 36-46
- Invasões dos inimigos 45-47
- Devastação da terra, 47-52. (Cumpriu-se nas invasões dos assírios e
babilônicos)
- Canibalismo em tempo do cerco, 53-57. (II Rs.6:28; Lm.2:20)
- Pragas 58-62
- Dispersão entre as nações 63-68
Várias vezes houve dispersões (diásporas): em 722 aeC, quando os assírios
tomaram Samaria; em 597- 586 aeC, com a chegada dos babilônios, e em 70 eC
com os romanos. Descreve-se com precisão em 28:68 o que aconteceu no ano 70
eC, quando Tito destruiu Jerusalém e vendeu os judeus como escravos. O
Exegeta Halley observa que este capítulo "esboça toda a história futura da
nação hebréia e pinta em cores vívidas o cativeiro babilônico e a destruição
nas mãos dos romanos. Forma uma das evidências mais surpreendentes e
indiscutíveis da inspiração divina da Tanach (Bìblia)". Pode até causar
espanto o comentário dessa parashah, mas à luz da Teologia, o que escrito
está, é apenas a simples "revelação do filme, ao longo do tempo, da última
foto tirada por Moisés".
A parashá desta semana é a
mais numerosa em leis, 74 das 613 mitzvot são citadas neste trecho da torá.
Entre outras podemos citar:
O tratamento a ser dado a uma mulher que é tomada cativa depois de uma
batalha.
O direito do primogênito de receber uma porção dupla da herança, mesmo
quando a sua mãe não é a esposa preferida.
O tratamento a ser dado a um filho rebelde.
O cadáver de um homem condenado à morte deveria ser enterrado o mais
rápido possível.
O dever de devolver um objeto a seu legitimo dono,
As condições de segurança numa casa.
Obrigatoriedade da utilização dos tzitit.
Proibição da mistura lã e linha num tecido, sementes numa videira e de
atrelar juntos animais diferentes.
A indicação de uma série de penalidades relacionadas ao adultério:
acusações falsas a esposa condenariam o marido a chibatadas; a confirmação
do ato, a esposa e o amante seriam executados.
A proibição de um homem casar-se com a esposa de seu pai e com
mulheres das nações de Amon e Moab.
A proibição de se cobrar juros quando de outros judeus. Também não
poderia ser tomado como garantia nada que fosse fundamental para a
sobrevivência do tomador do empréstimo.
O pagamento ao trabalhador deveria ser feito ao término do trabalho.
A exigência de um ritual (o get) no caso de divórcio. A proibição de
uma mulher divorciada voltar a casar com seu ex-marido no caso de viuvez
ou de um novo divórcio,
A obrigação de um homem casar-se com a viúva de seu irmão, caso não
tivessem tido filhos.
Proibidas as balanças defeituosas e enganar o consumidor no peso ou na
medida.
Concluindo a parashá, Moisés recomenda ao seu povo que
recordem sempre as ações de Amalek, que atacou os bnei Israel, quando
estavam debilitados, e exige que todo vestígio dele seja apagado da face da
Terra.
Texto Mauricio Mindrisz
NOTA de o Caminho - devido à estas leis serem de
interpretação particular,não devemos considerá-las como pontos de
salvação...
Lendo o livro de Deuteronômio, temos conhecimento da
dimensão da parashah desta semana. Embora tenhamos estendido o comentário ao
capítulo 26, pois é até este capítulo que versa sobre leis de justiça e de
humanidade.
Visto que em Israel governava uma teocracia (governo de YAOHU
UL), as funções civis e religiosas se uniam para que tudo caísse sob a
direção divina.
1 - Administração da justiça : (16:18-17:13). Os juízes seriam
escolhidos pelo povo hebreu, como representantes de YAOHU UL e para proteger
os direitos de seu povo, deviam julgar com imparcialidade.
2 - Instruções acerca de um rei : (17:14-20). No devido tempo,
YAOHU UL daria um rei a Israel. Moisés antecipava as condições sob as quais
haveria de estabelecer-se o seu reinado. São os seguintes:
Devia ser eleito por YAOHU UL. Seria Israelita, e não estrangeiro.
Saul e Davi cumpriram estes requisitos, mas terão seu cumprimento mais
completo, segundo as profecias, no Reinado do Messias.
Isto significa que o rei não devia depender do poderio militar nem
de alianças com outras nações, mas do poder Divino. Tampouco devia imitar os
outros reis orientais com uma demonstração de glória terrena.
Não devia tomar para si muitas mulheres; devia ser espiritual, e
não sensual. Tampouco devia casar-se com a finalidade de formar alianças com
outras nações.
Não devia amontoar riquezas para si, isto é, não devia usar seus
poderes com finalidades egoístas, mas para servir ao povo de YAOHU UL.
Porque onde está o tesouro, ali também estará o coração.
Devia o rei escrever para si uma cópia da Lei. O rolo original das
escrituras de Moisés estava guardado no santuário. Os levitas e sacerdotes
haviam de entregar a cada rei uma cópia quando este fosse coroado. Desta
maneira, o soberano podia ler diariamente a Palavra Divina com o fito de
temer a YAOHU UL, de sujeitar-se à lei revelada e de tomar suas decisões
segundo a vontade de YAOHU UL. Tal proceder acrescentam instruções para o
rei, limitando seu poder (Para que o seu coração não se levante sobre os
seus irmãos, 17:20). YAOHU UL não queria que os reis de Israel fossem
soberanos absolutos nem déspotas arbitrários sobre o povo do concerto, mas
subalternos do Rei Celestial.
3 - As porções dos levitas : (18:1-8) Considerando que o Eterno
protegeu a vida dos primogênitos na noite de Pessach, estes lhe pertenciam
(Êx.13:1, 2; 11-16). YAOHU UL tomou os levitas em lugar dos primogênitos
(Nm.3:11,12) para servir no tabernáculo, ensinar a Lei e ajudar os
sacerdotes. Portanto, não receberiam território como as demais tribos. “O
Eterno é a sua herança” 10:9. Estariam dispersos por todas as partes a fim
de que seus serviços estivessem ao alcance de todo o povo hebreu e deviam
ser sustentados pelos dízimos dos israelitas.
4 - Os profetas e o Profeta : (18:9-22). Encontra-se aí a promessa
de YAOHU UL de que levantaria uma ordem de profetas com a proibição de
recorrer a adivinhos e a espiritistas. Através dos séculos o homem
tem desejado conhecer o futuro e ver além. Deste desejo nasceu o
espiritismo, o qual é formado de muitos fragmentos de religiões pagãs,
inclusive invocando espírito de mortos (ato condenado por YAOHU
UL),enganando a todos os que buscam consulta aos médiuns. Moisés ordenou aos
israelitas que erradicassem por completo, a prática de adivinhações,
de espiritismo e de magia.
Não era necessário consultar os espiritistas para saber o futuro, porque
YAOHU UL enviaria profetas verdadeiros e suas credenciais seriam de tal
sorte que não deixariam lugar para dúvidas. Seriam profetas do Eterno e não
de outro deus (18:20). O homem que se lança ao ofício profético sem ser
chamado por YAOHU UL, é um profeta falso. Os autênticos não profetizariam de
seu próprio coração, mas falariam somente as palavras que YAOHU UL lhes
desse (18:18). Suas palavras se cumpriram infalivelmente (18:22). Não
obstante, podia ocorrer, em certos casos, que falsos profetas operassem
milagres e se cumprissem suas palavras, mas ficariam a descoberto através de
sua doutrina em desacordo com a de YAOHU UL (13:1, 2). YAOHU UL permitiria
que fizessem sinais para provar a seu povo a fim de que se manifestasse se o
amavam ou não (13:3). Finalmente, o verdadeiro profeta honraria a Palavra
escrita de YAOHU UL (Is.8:19, 20).
5 - As cidades de refúgio : (19:1-14; Nm.35:6-28). Segunda as
antigas leis de Israel, quando alguém feria ou matava uma pessoa, embora
fosse por acidente, podia ser morto pelo parente mais próximo da vítima.
Este se chamava “vingador do sangue”. Moisés indicou três cidades ao oriente
do Jordão que serviriam de asilo aos que matassem a outros por acidente.
Josué separou outras três cidades ao ocidente do mesmo rio.
Os anciãos da cidade julgavam o fugitivo para ver se tinha ou não culpa
de homicídio. Se havia matado sem má intenção ou por casualidade, podia
ficar na cidade e estar seguro dentro de seus limites. Se, porém, saísse, o
vingador do sangue tinha o direito de matá-lo. Se ficasse aí até que
morresse o sumo sacerdote, então tinha liberdade de voltar ao seu lar sem
maior perigo.
Isto mostra que YAOHU UL nos julga não segundo nossos atos por si mesmos,
mas segundo a intenção do coração. O asilo era somente para o matador
involuntário.
6 - Leis diversas : (19:15 - 21:9). Uma vez que as leis que se
encontram nestes capítulos são muitas, deixamos de comentar neste espaço,
visto que são complexas e extensas.
Acreditamos que pelo pautado na parashah desta semana, podemos ter uma
pálida idéia de como YAOHU UL exigiu do seu povo eleito. Sendo YAOHU UL
imutável, tal exigência divina vigora até os dias de hoje, pois YAOHU
UL observa o levantar, o andar e o deitar de cada um de nós. Convém
então que cada um busque ao máximo uma vida dentro dos ditames do Eterno.
A parashá dessa semana, Reê (Vede) nos
apresenta dois caminhos, o quais o Eterno no concede o livre arbítrio,
para escolhermos quais destes seguiremos; nos relata também sobre os
animais que nos são abomináveis, que não podemos comer; sobre as
festas de Pêssach, Shavuot, e Sucot, dentre outros...
Quando o Eterno nos coloca a frente o
caminho das bênçãos e o caminho da maldição, Ele já nos define a sua
vontade, ou seja, Ele nos deixa decidir o que queremos para o futuro,
mas antes, exorta-nos a cumprir suas mitsvot, fazendo-nos ter plena
certeza de que se as cumprirmos, estamos percorrendo o trilho certo,
rumo as bênçãos.
Ao contrário do que muitos podem pensar,
não basta escolher o caminho das benção sem enfrentá-lo , sem sentir,
na prática, as naturais barreiras que do Eterno vem para nos provar,
provar nossa resistência à carne e amor pelo Criador do Universo.
Como poderemos dizer que servimos a
YAOHU UL, se não vivenciamos suas leis, se não guardamos o Shabat, se não
nos abstemos de comer animais imundos, se não amamos e respeitamos
nosso próximo?
Sinceramente seria mais coerente uma
pessoa seguir definitivamente o caminho da maldição, que fingir estar
feliz seguindo a congregação que trilha o caminho das bênçãos, pois,
de ambas as formas, tal pessoa encontrará somente a perdição.
Ninguém é obrigado a fazer o que não
quer! A Torah foi escrita para aqueles que, sem pressões, querem
cumpri-la com todo o ser. O Eterno é um, o povo é um, a Torah é uma;
agora... acreditar ou não nisso, são nos apresentados em duas opções,
brachá uklala (benção e maldição).
A Parashá dessa semana,
Ekev (Pois que) continua nos falando sobre a exortação de Moshê ao povo
de Yisrael, para que obedecessem e cumprissem os preceitos e estatutos
que o Eterno os ordenou.
Èretz Yisrael era uma terra muito rica em
abundâncias; trigo, cevada, vinhas, azeite, mel, etc, eram facilmente
encontrados nesta boa terra. Mas onde queremos chegar?... é simples! A
fartura é uma das coisas que, se mal usufruída, pode levar-nos a desviar
dos caminhos do Eterno.
Quando Yaakov (Jacó) reencontrou seu
irmão Essáv (Esaú), após se emocionarem aos abraços, ambos declararam as
bênçãos recebidas. Essáv disse que tinha mais do que precisava, enquanto
seu irmão Yaakov disse que tinha tudo que necessitava. A atitude de
Essáv é ignorada por nossos sábios, pois, em suas palavras, foram
encontrados sinais de ambição, ou seja, de alguém que nunca se
satisfazia com o que tinha.
É contra tais
atitudes que a Torah nos orienta no decorrer dessa parashá. Os bens
matérias fazem parte de nossa vida, o que não pode acontecer, é que os
bens já adquiridos controlem nossa mente, fazendo-nos chegar a ponto de
toparmos tudo para conseguirmos ainda mais coisas que não nos são
necessárias para viver.
A fortuna pode
provocar uma ferida maior e mais sofrida que uma provocada por espada. A
riqueza tem a capacidade de fazer as pessoas ficarem tão pobres, a ponto
de terem apenas dinheiro!
Os israelitas são
destinados a serem prósperos, sim! Devemos apenas ter domínio próprio
para que nada venha nos impedir de agradar ao Eterno com nossas ações
cotidianas. A luta é constante, mas Hashem sempre nos estende o braço,
para encontramos Nele, a força e o refúgio necessário.
1. Oração de Moisés para entrar em Canaã. Dt.3:23-29.
“Eterno YAOHU UL! Tu começaste a mostrar ao teu servo a Tua grandeza e
a Tua forte mão; pois, que YAOHU UL há nos céus e na terra que faça Tuas
obras, e como Teus feitos extraordinários! Deixa-me passar, rogo-te, e verei
a boa terra, que está além do Jordão, este bom monte (Com estas palavras,
Moisés queria designar a cidade de Jerusalém a qual se acha rodeada de
montes: e com o “Líbano”, ele queria dizer o lugar em que futuramente se
iria construir o Templo) e o Líbano”.
Apesar da veemente oração de Moisés a YAOHU UL, para entrar na Terra
Prometida, YAOHU UL já o havia advertido ele não entraria, e com esta
oração, até irritou-se, pois disse a Moisés que não mais tocasse neste
assunto. Apenas permitiu que subisse ao outeiro, levantasse os olhos para o
ocidente, para o norte, para o sul e para oriente, porque não passaria o
Jordão.
2. Exortação e obediência. Dt.4:1-43.
Considerando o que havia sucedido à geração anterior, Moisés apela
fervorosamente para Israel a fim de que não cometa o mesmo erro, que guarde
a lei e a ponha em ação. Se obedecesse à Lei viveria e tomaria posse da
Canaã.
Outro motivo para obedecer a YAOHU UL era que somente Israel tinha o alto
privilégio de ser seu povo. Somente para Israel o Eterno estava tão perto.
Havia-lhes falado com voz audível e com eles havia firmado um concerto.
Notamos o zelo de YAOHU UL. Como o marido que dá a sua esposa amor sem
reserva e exige dela lealdade, assim YAOHU UL exige a mais absoluta
fidelidade de seu povo. Moisés adverte solenemente que o fato de apartar-se
de YAOHU UL para prestar culto aos ídolos traria como conseqüência à
dispersão dos hebreus. Por outro lado, o arrependimento traria restauração.
Quando Moisés fala ao povo, geralmente emprega o pronome “vós” (4:1-8,
11-18. 20-23), mas algumas vezes pensa em seus integrantes individualmente e
usa o pronome “tu” (4:9,10; 19:1-21). Em outras oportunidades ele próprio se
inclui em sua nação e se expressa com a primeira pessoa do plural “nós”
(2:8).
3. Os dez mandamentos e sua aplicação. Dt.4:44- 6:3.
Os dez mandamentos eram a base da aliança que o Eterno fez a Israel.
Chamam-se “testemunhos” (4:45), pois constituem a revelação do caráter, da
vontade e do propósito divino. A lei declara que YAOHU UL é Uno e Santo.
Aponta, também, o caminho que o homem deve seguir para viver em harmonia com
o seu Criador e com o próximo.
O decálogo começa com as palavras: “Eu sou o Senhor teu YAOHU UL, que te
tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (5:6). O Eterno exige
obediência porque : É YAOHU UL, o Soberano; Estabeleceu relação pessoal com
o seu povo. A expressão “Teu YAOHU UL” ou sua equivalente encontra-se mais
de trezentas vezes no Livro de Deuteronômio e é a base da verdadeira fé.
Lembra a relação que existe entre um pai e seus filhos; O Eterno redimiu a
seu povo da servidão, portanto espera que os redimidos obedeçam à sua voz.
A diferença ente o decálogo apresentado aqui e o de Êxodo 20 encontra-se
no quarto mandamento. Para observar o dia de descanso, Deuteronômio adiciona
outra razão além de que o Criador tenha descansado; os israelitas haviam
sido resgatados da servidão do Egito e deviam dar a seus servos e animais de
trabalho o dia de descanso semanal (5:14,15).
4. O grande mandamento! Dt.6:4,5
Conhecemos este versículo por Shemah, pois é a primeira palavra e se
traduz por “ouve”. Essa é a oração judaica mais freqüentemente pronunciada,
a afirmação mais insistente que os devotos fazem desde a infância até a
morte. É a única e sincera declaração de há um só YAOHU UL, um só Criador, o
Eterno!
5. A religião no lar. Dt.6:6-9.
“Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás
a teus filhos”.
Os pais não devem depender da instrução pública da religião, mas devem
instruir os filhos nos lares. Os israelitas muitas vezes falharam neste
dever e apostataram na fé, porém pela misericórdia do Eterno, retomavam ao
caminho de uma vida com YAOHU UL.
Devemos passar a religiosidade aos nossos filhos, desde a mais tenra
idade, para que quando maduros tenham uma base sólida, capaz de suportar os
ventos de teorias religiosas.
6. Advertência contra a idolatria e exortações à obediência.
Dt.6:10-7:11.
Moisés previu o perigo de que os israelitas, uma vez estabelecidos na
terra de Canaã se esquecessem de seu YAOHU UL e servissem a deuses
estranhos. Advertiu também a Israel quanto à covardia, quanto à
auto-suficiência, e proibiu-lhes buscar acordo com as nações derrotadas.
YAOHU UL escolheu Israel para ser um povo santo, especial (7:6), “o seu povo
próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (14:2).
Vós todos estais hoje
presentes diante do Eterno, vosso YAOHU UL; Os cabeças de vossas tribos,
vossos anciãos, e vossos policiais, todo o homem de Israel; 29:9.
Moisés fez reunir, no dia de sua morte, todo o
povo de Israel a fim de introduzi-los na aliança, diante do Eterno. Esta
concepção da aliança, chamada “Berith”, domina o Mosaismo e constitui um dos
nomes pelo qual é designada a religião israelita. Os israelitas fiéis à Lei
de Moisés são denominados “Filhos da Aliança” (Bené-Berith). Esta aliança de
YAOHU UL, com a descendência dos patriarcas, foi feita para que ela
ensinasse o caminho do Eterno, o direito, a justiça e a caridade as outras
famílias da Terra. O sinal material desta aliança é a circuncisão, e o sinal
espiritual é o sábado, dia destacado entre os dias da semana. Esta aliança é
entre o YAOHU UL Único e o povo predileto, ligado a este pacto pelos
mandamentos da Torah, “Não foi com nossos pais que fez o Eterno esta
aliança, e, sim, conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos“. Dt.5:3.
No começo desta parashah enfrentamos-nos
com um magno e imponente quadro: Todo o povo reunido, desde os altos
dignitários, anciãos e polícias, até os rachadores de lenha e tiradores de
água; até mesmo as mulheres e as crianças, todo o povo de Israel, pois,
perante YAOHU UL, todos são iguais. A união de um povo sem distinção de
classe, mostra a solidariedade dos indivíduos que o compõem, e esta á uma
das condições de sua existência, pois, o povo não é uma aglomeração de
células, porém um organismo, com vida própria, onde cada um possui o seu ser
igual ao outro, uma alma própria, e é com este espírito que Moisés reuniu a
todos, sem exceção alguma. Cada pessoa tem uma finalidade em sua própria
existência, e forma uma parte da comunidade. Foi esta solidariedade que
converteu o povo israelita, em povo imortal. “Vós todos estais, hoje,
presentes!” (atém nitzavim hayom – 29:9): quantos povos não estão mais,
enquanto vós o estarei para sempre, desde que sejais solidários uns com os
outros e reconhecerdes a aliança que o Eterno vosso YAOHU UL faz convosco.
Não está nos céus para dizeres: Quem
subirá por nós aos céus, que nô-lo traga, e nô-lo faça ouvir, para que o
observemos? 30:12.[//i]
A Lei e o dever, diz Moisés, não são coisas
que estão fora do nosso alcance; não se encontram nos céus nem além do mar!
Não há que ir longe, para encontrá-los. Olhai em vós mesmos, interrogai a
vossa consciência, é lá que os encontrareis. Estas coisas estão pertinho de
nós; em nossa boca e em nosso coração; elas se manifestam, a quem se dá o
trabalho de descobrí-las.
Uma outra interrogação do Midrash (Yalcut
940) diz, que a ciência sagrada não se deve procurar nas pessoas, cuja
vaidade vai até os céus e despenca no oceano da vida. O verdadeiro sábio não
conhece o orgulho; ele sabe muito bem que a sua ciência e inteligência não
alcançarão jamais o infinito e o absoluto. Concluindo:[i] O conhecimento da
Lei Sagrada, só pode residir nas pessoas modestas.
. . . . . . . . .
E disse Moisés: “Hoje completo cento e
vinte anos de idade; já não poderei mais sair e entrar; e o Eterno disse-me:
Não passarás este Jordão”. Dt.31:2
Com estas palavras, Moisés queria dizer que
não tinha mais a permissão de ensinar a Lei ao povo, e que ele devia, por
mandado de YAOHU UL, ceder o seu lugar a Josué. A outra versão de Rashi,
diz, que Moisés, tendo completado os seus anos (cento e vinte), sentia que
lhe faltava aquele vigor intelectual para ensinar ao povo a palavra de YAOHU
UL. Não podendo mais “sair e entrar” (nos caminhos da ciência sagrada)
Moisés devia ceder o seu lugar a outro. Quanto ao vigor físico, este, nunca
lhe faltou, segundo lemos mais adiante: “E Moisés tinha a idade de cento
e vinte anos, quando morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe
transformou o esplendor do seu rosto”. Dt.34:7.
E Moisés escreveu esta Lei e a deu aos
sacerdotes, filhos de Levi (v.9). “Esta Lei” quer dizer: desde o Gênesis até
o fim do Pentateuco, que Moisés lhes entregou, antes da sua morte:
entretanto o termo “esta Lei”, a do versículo onze, significa uma parte do
Deuteronômio.
Quando todo Israel vier a comparecer
diante do Eterno, teu YAOHU UL, no lugar que escolher, lerás esta Lei diante
de todo Israel, aos seus ouvidos. Dt.31:11
Este mandamento de ler a Torah cabia ao rei
de Israel. Em “Hol hamoed” (medianos) da festa de Sucot (cabanas) no começo
do primeiro ano da Shemitá (ano sabático) tocavam-se as trombetas em
Jerusalém, a fim de reunir o povo. Traziam uma bima (estrado) de madeira que
colocavam na ezrat nashim (seção reservada para as mulheres, no Templo) e o
rei sentava-se lá e todo Israel reunia-se ao redor. Então, o oficiante da
congregação, pegava o rolo da Torah e entregava-o ao chefe da congregação, e
assim passava de um para o outro, até que chegava às mãos do sumo sacerdote,
o qual entregava-o por sua vez, ao rei. Este o recebia, e estando ele de pé,
pronunciava a bênção da Torah e lia desde o começo do Deuteronômio até o
trecho da “Shemá, asser teasser”, as admoestações da parashah de Ki Tavó,
pois estes trechos estimulam a cumprir os preceitos da Torah e fortalecem a
fé em YAOHU UL. Depois, o rei pronunciava a última bênção da Torah, sempre
em hebraico. Nesta cerimônia, o rei representava o Estado, e a leitura da
Torah significava a submissão de todo o povo ante a Lei Divina.
A parashah desta semana é a abertura do quinto
e último Livro da Torah, assim sendo, estaremos nesta data fazendo uma
análise geral do mesmo.
Estas são as palavras que Mosheh falou para
todo Israel.
Atentando para os quatro livros anteriores, notamos a diferença, pois
todos contêm: “A Palavra de YAOHU UL”. Segundo os estudiosos, entendem que
Mosheh deixou-nos a obra de Deuteronômio por iniciativa própria.
Esta colocação da tomada de decisão de Mosheh não que dizer que YAOHU UL
não tenha permitido, pois tudo que fazemos são inspirações provindas do lado
do bem ou do lado do mal. No caso, as palavras proferidas por Mosheh, sem
sombra de dúvida, são palavras inspiradas pelo Espírito de YAOHU UL.
A conclusão unânime dos exegetas é de que realmente YAOHU UL tocou no
coração de Mosheh, pois os quatro livros da Torah estariam incompletos, não
que Deuteronômio acrescente coisa nova, mas além de repetir resumidamente os
princípios emanados de YAOHU UL, “debulha” muitos tópicos, que para um leigo
leitor, poderia não ficar tão claro.
Dando-se à leitura de Deuteronômio, iremos ver claramente a sua divisão
em quatro partes: A Grande Introdução, Exposição de tópicos importantes, Uma
Nova revisão em alguns tópicos expressos na segunda parte e Conclusão que
vai desde os atos de Mosheh à eleição de Yhoshua (Josué).
Nas próximas semanas, estaremos estudando semanalmente cada uma das
parashah que compõem o Livro de Deuteronômio.
Nessa semana lemos
juntas (mechubarot) as parashot Matot (Tribos) e Mas´ê (Partidas). Em
Matot, nos é relatado sobre votos, promessas e juramentos que a pessoa
faz; também sobre a guerra contra os midianitas, e a concessão das
terras aquém do Jordão às tribos de Rubem, Gad e metade da tribo de
Menashe. Em Mas´ê, Moshê enumera os lugares onde o povo de Yisrael
acampou durante a permanência no deserto até o vale de Jericó; fala
também sobre a ordem dada pelo Eterno, em relação a correta divisão de
Canaã; sobre a separação das cidades-refúgio, dentre outros...
O Eterno ordenou a
Moshê guerrear contra os midianitas, e que logo após, ele morreria.
Segundo o Midrash, a morte de Moshê estava condicionada à vingança
contra os midianitas, ou seja, Moshê só morreria depois que vingasse os
filhos de Yisrael de Midiã.
Mesmo podendo atrasar
essa batalha para viver por mais tempo, Môshe preferiu não seguir por
esse caminho, mas sim, demonstrando um amor intenso pela casa de
Yisrael, fazendo refletir em seu rosto o profundo desejo de agradar ao
Criador, apressou essa guerra, para que, mesmo sem ele, os filhos de
Yisrael entrassem e habitassem a prometida terra que emana leite de mel.
Após essa guerra, Moshê
recorda os lugares e todas as dificuldades que os israelitas passaram no
deserto, relatando-nos a dependência de um povo a um líder, a perfeita
sincronia entre a teimosia do povo de Yisrael e a paciência e sabedoria
de Moshê Rabeinu.
Grande parte do que
Yisrael havia conseguido até aquele momento, foi em mérito de Moshê, e
mesmo sendo proibido de entrar numa terra que tanto almejava, Moshê não
desistiu de instruir o povo, de encaminhá-los à verdadeira vontade do
Eterno, para que assim se cumprisse toda Sua Palavra.
Está ai um exemplo de
humildade e temor que todos devemos seguir, pois, a enumeração dos
lugares em que os israelitas passaram, assemelha a caminhada que
fazemos, desde nossa tevilah até a volta do Mashiach Yeshua, ou seja,
devemos entender que nessa vida somos mortais, persistindo em mostrar o
verdadeiro caminho à todos que têm interesse em servir o Eterno, para
que estes também venham receber a salvação que já, em Yeshua, nos é
garantida.
Afligireis aos Midianitas, e feri-los-eis (Nm. 25:17).
YAOHU
UL ordena a guerra contra os Midianitas.
O exegeta Ramban faz esta observação: “porque só contra os Midianitas e
não também contra os Moabitas, já que Moab havia contratado Bilam para
amaldiçoar Israel?”
Esta diferença se deve, nos diz ele, porque os Moabitas temiam o povo de
Israel e o seu medo era um medo material perante o poder de Israel, um temor
político, nacional, que pode ter um país contra outro. Os Midianitas pelo
contrário odiavam o povo de Israel. As suas terras não estavam no caminho
por onde devia passar Israel e seu estado não estava em perigo. Apesar disso
trataram de aniquilá-lo, e como não podia fazê-lo, usaram o meio da
corrupção a fim de assimilá-lo. Por isso é que contra Midian somente caiu a
ira do Eterno.
Por outra parte vemos no Deuteronômio que YAOHU UL proibiu Israel fazer
guerra a Moab (Dt. 2:9), e o Talmude nos diz a razão: “porque de Moab tinha
de nascer Ruth, e de sua descendência o Rei David e finalmente desta extirpe
o Messias“.
Estas são as famílias dos filhos de Gad, segundo os que foram deles
contados: Quarenta mil e quinhentos (Nm. 26:18).
São muitas as razões porque YAOHU UL ordenou contar aqui a congregação
dos filhos de Israel. A Midrash escreve que em todo o lugar onde os
israelitas tiveram que sofrer alguma mortandade, foram contados,
assemelhando-se o caso ao pastor em cujo rebanho entraram lobos e mataram
parte dos carneiros. O pastor os conta para saber quantos ficaram. Uma outra
explicação é que os israelitas saindo do Egito foram entregues a Moisés,
contados (Êx. 12:37). Agora que Moisés estava no fim de seus dias, ele tinha
que entrega-los também contados. Uma terceira razão é que a Torah ao
enumerar aqui as famílias de Israel logo após o assunto de ” Peor “, quer
mostrar que estas conservaram sempre a sua pureza familiar e integridade
moral. O erro de Zimri (Nm. 25:14), foi um dos casos singulares e únicos na
história de Israel e por isso causou indignação entre o resto do povo que
geralmente, conservou intacta a sua pureza.
Os filhos de Ache, segundo suas famílias: de Yimná, a família de
Yimná; de Yishvi a famílias dos Yishvitas; de Beriá, a família dos Beriítas,
( Nm26: 44).
Nota-se que ao citar as famílias, a Escritura Sagrada os denomina em
hebraico: “Hanoch, Hahanochi; Palu, Hapalui, etc” (cap. 26:5), para fazer
com que a primeira e a última letra do nome hebraico da família, levassem o
nome de YAOHU UL “Yah”, e fosse assim atribuída ao Eterno. Foi por isso que
o Rei David denominou os filhos de Israel como sendo as tribos de YAOHU UL
“Shibtê Yah” (Sl. 122). Porém no caso da família de Yimnah a Escritura
Sagrada não teve a necessidade de dizer “Hayimni” dado que na palavra Yimnah
mesmo, a primeira com a última letra, já formam o nome de YAOHU UL.
E vieram as filhas de Tzelofhad, filho de Heber, filho de Gilead,
filho de Machir, filho de Manasés, das famílias de Manasse, filho de José; e
estes são os nomes de suas filhas: Mahlá, Noá, Hoglá, Milcá e Tirtzá (Nm.
27:1).
Tzelofhad, o pai destas moças que se apresentaram perante Moisés, Eleazar,
. . ., reclamando o direito de sua herança, era, segundo o Rabi Aqiba,
aquele homem que apanhava lenha no dia de sábado e foi condenado a morte
(Nm. 15:32- 36), mas segundo Rabi Simão, ele era um dos que se mostraram
temerários para subir ao cume do monte e lutar, mas que caíram mortos pelos
Amalekitas e os Cananeus (Nm. 14:44- 45). E levou Moisés a causa delas ao Eterno (Nm. 27:5).
Segundo o Midrash, as filhas de Tzelofhad se apresentaram primeiro aos
capitães de dezenas, os quais se recusaram resolver o caso, dizendo que este
competia a uma autoridade superior. Elas consultaram os capitães de
cinqüenta que responderam da mesma forma. Seguiram levando o seu caso
perante os capitães de centenas e daí por diante, às autoridades superiores,
porém todas se declararam incompetentes, até que chegaram a Moisés. O
modesto Legislador de Israel, profundo conhecedor dos sentimentos humanos,
não querendo ferir a sensibilidade dos capitães consultados, respondeu às
filhas de Tzelofhad: “Eu também recuso pronunciar-me a respeito: existe um
Juiz mais eminente que eu!” E Moisés levou a causa delas, perante o Eterno. Que o Eterno, YAOHU UL dos espíritos de toda criatura, nomeie um homem
sobre a congregação (Nm. 27:16).
YAOHU UL mandou Moisés subir ao monte de Abarim e ver a terra que ia dar aos
filhos de Israel, informando-o que não teria a ventura de entrar na terra
prometida. Moisés, em lugar de recriminar e queixar-se, suplica a YAOHU UL
para não abandonar o rebanho que lhe foi confiado e que designasse um novo
pastor. Eis aqui, um exemplo de sacrifício absoluto à causa pública! Nos
ensina o Midrash que os grandes homens deixam de lado os seus próprios
interesses, para se ocuparem dos demais.
Quando Moisés pediu um sucessor, dirigiu-se ao Eterno, qualificando-o “YAOHU
UL dos espíritos de toda a criatura”, pois somente YAOHU UL conhece os
corações, a inteligência, os sentimentos de cada um, e sabe aquele que é
apto para ser chefe. Moisés pede para Israel um guia espiritual que esteja
animado do espírito de Divino, isto é, que conheça inteiramente a natureza
humana e se adapte ao espírito de cada ovelha de seu rebanho. Este é o guia
infalível, o pastor ideal para uma comunidade.
Nesta seqüência de textos anotados e comentados, acredito que muito proveito
podemos tirar para aplicar em cada dia, que o nosso Eterno nos dispensa. Shabat Shalom!
A Parashá dessa semana, Balak, nos relata
sobre a união entre moabitas e midianitas, com o objetivo, fracassado, de
amaldiçoar Yisral, por intermédio do feiticeiro Bilam (Balaão).
Até onde nos leva o poder das palavras e
ações?
Numa oficina, existia uma divisória, onde os
mecânicos que ali trabalhavam, jogavam todas as peças usadas e estragadas.
Em um determinado dia, uma criança entrou nesta oficina e, sem cerimônias,
foi logo mexendo em todas as peças daquela divisória. Discordando daquela
ação, um dos mecânicos lhe perguntou: - O que você quer? Então a criança,
remexendo a divisória, responde: - Quero uma dessas peças para fazer um
brinquedo. O mecânico, já fadigado pelo árduo dia de trabalho, expulsa a
criança e, mesmo tendo a peça, diz à ela que não tem. Horas depois, uma
segunda criança aparece na porta dessa oficina, e estando em pé a porta, sem
adentrá-la, pergunta a um dos mecânicos: - Moço, você poderia me arrumar uma
peça para eu fazer um brinquedo? O mecânico, mesmo estando nervoso com a
correria no trabalho, sorri para criança e lhe entrega a peça desejada.
Balak queria que, com palavras, Bilam
amaldiçoasse o povo de Israel. Ele escolheu o uso das palavras porque sabia
que elas são capazes de conquistar coisas incríveis. Sabemos que o plano de
Balak e Bilam não teve êxito, pois o Eterno habitava e protegia os filhos de
Israel. Mas se não fosse a ajuda Divina, com certeza Balak cantaria vitória,
porque o poder das palavras é capaz de enfraquecer uma grande nação,
levando-a a facilmente ser destruída.
Na história acima, a criança que não soube
utilizar as palavras de forma correta e agir da mesma maneira, não conseguiu
o que queria, enquanto a segunda criança, estabelecendo uma perfeita
sincronia entre palavra e ação, pôde voltar à sua casa com o objetivo
alcançado.
Quantas vezes em nosso cotidiano, não
utilizamos as palavras de forma correta?! Agir dessa maneira é como o atirar
de uma flecha, pois como ela, a palavra falada não tem mais volta. Também,
ao pedirmos algo ao Eterno, devemos fazer de todo o coração, utilizando boas
palavras, não obrigatoriamente com uma pronuncia correta, mas com grande
sinceridade.
HaShem está sempre pronto a ouvir os sinceros,
e não temos que fazer nada além do que fez aquela segunda criança, ou seja,
estando de pé a frente do Criador, demostre-mO-Lhe o nosso ardente desejo em
conquistar a vida eterna; quem sabe Ele sorria pra nós...
“Este é o estatuto da Lei que ordenou o Eterno, dizendo: Fala aos
filhos de Israel para que tomem em teu nome uma vaca vermelha, perfeita, na
qual não haja defeito, e que ainda não tenha levado jugo” 19:1.
O
preceito da vaca inteiramente vermelha é um a Lei denominada “chuqát”, isto
é, uma sentença de YAOHU UL a qual devemos observar indiscutivelmente, mesmo
que não nos seja dado compreender as razões pela qual foi instituída. Os
preceitos de: Não acender fogo no sábado, não vestir lã e linho juntos, não
cozinhar o cabrito com o leite de sua mãe, e muitos outros, fazem parte
desta classe de Lei. A “água viva” misturada com a cinza desta vaca tinha a
faculdade de fazer tornar puros os impuros, e os homens puros que se
ocupavam do processo das vacas ficavam impuros com o seu contato, segundo se
nota lendo o capítulo dezenove. Somente a YAOHU UL cabe esclarecer o
estatuto da “parah edumah”. Entretanto, este preceito fazia estimular a
criação bovina, pois que, o nascimento de uma vaca inteiramente vermelha
(dois pêlos pretos a tornava inapta ao sacrifício) constitui até hoje uma
coisa muito rara, e para quem a tinha então, o seu preço valia uma fortuna.
“E tiveram os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de
Tain, no primeiro mês, e esteve o povo em Cadésh; e morreu ali Mirian, e foi
sepultada ali.” 20:1
No quadragésimo ano da saída dos israelitas do Egito, morreu Miriam, a
irmão de Moisés, e Aarão. Segundo o exegeta Rashi, ela também se separou
deste mundo com uma morte doce e suave conforme a dos seus irmãos, e por
mérito desta profetiza, YAOHU UL providenciou aos filhos de Israel água no
deserto. Vemos em Miriam a boa irmã que vigia o pequeno Moisés flutuando
entre a vida e a morte numa cestinha sobre o Nilo, até vê-lo salvo,
contribuindo com a sua ingenuosidade, ao bem estar do menino (Êx.2:4-9).
Oitenta anos mais tarde, vemo-la tomando parte preponderante na libertação
dos israelitas do Egito e cantando ao Eterno em ação de graças, à beira do
Mar Vermelho, a salvação de Israel (Êx.15:20,21). A Escritura Sagrada por
meio do profeta Miquéias, a coloca ao lado de Moisés e Aarão neste feito
glorioso: “Pois te fiz sair da terra do Egito e te remi da casa de
escravidão; enviei diante de ti a Moisés, a Aarão e a Miriam”. Mq. 6:4.
“E disse o Eterno a Moisés e a Aarão: Porquanto não crestes em Mim,
para santificar-me aos olhos dos filhos de Israel, por isso não trareis esta
congregação à terra que lhes dei” 20:12.
A primeira vista parece que a severidade do castigo não corresponde ao
pecado. Além disso, que diferença houve se em lugar de falar ao penhasco, o
golpeou com a vara que igualmente deu água? A resposta a esta pergunta,
encontramos no fato de que YAOHU UL ordenou Moisés levar consigo a vara
naquela ocasião (vers. 7). O povo atribuía esta vara poderes milagrosos. Por
isso, desta vez, a ordem foi não utilizá-la, mas falar ao penhasco para
jorrar água, a fim de extirpar completamente a idéia errada de que os
milagres eram realizados somente por meio da vara e não pelo Poder Divino.
Foi por isso que YAOHU UL lhes disse: “Porque não crestes em Mim para Me
santificardes” etc. (ver. 12). Um guia espiritual deve saber falar ao
penhasco e não golpeá-lo, e quanto maior é a pessoa, maior é a sua
responsabilidade considerando-se-lhe como graves, os erros, que para outros
são pequenos.
Toma a Aarão e a Eleazar seu filho, e faze-os subir ao monte de Hor.
20:25
O midrash relata o fim do Grande Sacerdote “Aarão Hacohen”.
“Moisés levantou-se pela manhã e foi ter com o seu irmão. - Porque vens tão
cedo? Perguntou Aarão admirado. - Uma palavra da Torah turvou o meu sonho e
não me deixou dormir, respondeu Moisés. - E qual é esta estranha palavra?
Inquiriu Aarão. - Não me lembro mais, porém sei que ela se encontra em
Gênesis, foi a resposta de Moisés. Abriram imediatamente o primeiro livro da
Torah e leram os relatos da Criação, mas quando chegaram à morte de Adão e
Eva, pararam tristes e resignados. Aarão tinha compreendido tudo. Moisés,
Aarão e Eleazar seu filho subiram à montanha e eis que uma gruta abriu-se
perante eles; um leito estava lá preparado e uma lâmpada brilhava. Aarão
tirou suas vestes sacerdotais e fê-las vestir a Eleazar, Depois se estendeu
sobre o leito e fechou os olhos”.
Toda a casa de Israel chorou Aarão. Entretanto quando morreu Moisés, ele
foi chorado somente pelos filhos de Israel (Dt. 34:8) e não por todos, pois
Aarão foi o amigo do povo em geral, semeava a paz entre os homens e os
matrimônios e reconciliava-os. “Olev shalom verodef shalom”. Assim é, que na
sua morte, toda a casa de Israel levou o luto.
“Portanto se diz no livro das guerras do eterno: Os milagres que
Ele fez no Mar Vermelho, e aqueles nos rios que se estendiam no meio do
território de Ar (Moab) e agora está junto ao termo de Moab” 21:14.
Rashi comenta aqui os milagres que aconteceram aos israelitas nos rios de
Arnon e disse que se devem recordar também estes milagres, conforme são
recordados os milagres do Mar Vermelho.
O que aconteceu em Arnon foi que o povo de Sihon escondeu-se nas cavernas
que havia nas duas ladeiras dos montes, entre os quais se achava o estreito
vale de Arnon. Os israelitas deviam passar por lá e os Amoreus iam
massacrá-los. Porém ao chegarem os israelitas ao cume do monte para descer
ao vale, os dois montes se juntaram e os inimigos de Israel que se
encontravam nas ladeiras ficaram esmagados sem que os israelitas de dessem
conta. Entretanto, depois que os montes se juntaram e os israelitas
passaram, os montes voltaram a sua antiga posição e o rio do vale arrastava
consigo o sangue e os membros dos corpos dos inimigos esmagados. Foi então
que os israelitas compreenderam o grande milagre e cantaram um cântico ao
famoso poço de água (que segundo Midrash acompanhou-os durante os quarenta
anos que estiveram no deserto), pois foi por meio deste, que os israelitas
tomaram conhecimento do milagre ocorrido.
Ao final deste comentário, entendemos nada melhor que concluirmos,
meditando o Salmo abaixo:
Bom é louvar ao Eterno, e cantar louvores ao Teu Nome, ó Altíssimo!
Sl.92:1
A parashá dessa semana, Corach (Coré) nos
conta sobre a rebelião no deserto, liderada por Corah, que tinha o
objetivo de tomar a liderança, imposta pelo Eterno, de Moshê e Aran.
Os grandes sábios dizem que, quando os
doze espias foram enviados à terra que o Eterno havia prometido dar aos
filhos de Israel, dá-se a entender que os israelitas tiveram uma espécie
de desconfiança do Eterno, pois, o Todo-Poderoso já havia dito que
aquela terra era muito boa, que emana leite e mel e que Ele estaria a
frente na batalha contra as nações que ali habitavam, mas mesmo assim,
eles queriam uma prova concreta, resgatada a olhos próprios de alguns
dos membros do povo.
Tendo voltado os espias, dez deles
desanimam o povo, fazendo com que este clame a ascensão de um novo
líder, que os fariam retornar a amarga terra do Egito. Aproveitando
todas essas controvérsias, Corach, que já tinha inveja do posto
espiritual que Moshê e Aran obtinham, resolveu tomar tais discórdias
como um motivo para desqualificar a liderança do povo, encobrindo assim
o seu verdadeiro sentimento, a ardente obsessão de tomar o posto dos
lideres.
Como todos sabemos Corach e seu grupo não
tiveram êxito, sendo mortos de uma forma sobrenatural. Logo após esse
acontecimento, o Eterno, através de doze bastões dos principais das
tribos de Israel, comprova a sua verdadeira escolha para liderança de
Seu povo, florescendo o bastão de Aran, o Sacerdote.
Mas a grande pergunta é: - Por que só após
a rebelião o Eterno confirmou a sua vontade, em relação a liderança do
povo?
HaShem nos ensina o caminho, quem decide
se vamos seguí-lo ou não, somos nós mesmos. Todo erro vem do homem,
nenhuma falha é de providência Divina. Foi o homem quem desconfiou de
YAOHU UL, foi o homem que reclamou sem motivo óbvio, foi o homem que deixou
a inveja corroer seu corpo até dominá-lo completamente.
O que o homem faz de errado, ele mesmo tem
capacidade de corrigir. O Eterno nos concede o livre arbítrio, para
buscar provas de que somos capazes de suportar todas afrontas que nos
são colocadas à frente.
Somente quando nossos inimigos se
levantarem contra nós, HaShem interferirá como no deserto, fazendo com
que estes sejam tragados pela terra, confirmando assim, o Seu verdadeiro
povo e Seus verdadeiros líderes.